Após tarifaço, EUA avaliam ainda taxa de 12,5% ao Brasil por acusação ligada a trabalho forçado
16 de julho, 2026
| Por: Agência O Globo
País é acusado de falhas no combate à importação de bens feitos com trabalho forçado
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. — Foto: Ricardo Stuckert / PR
Após o novo tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros, os Estados Unidos ainda avaliam uma nova taxa de 12,5%, sob acusação de que o Brasil tem comprado bens produzidos por outros países com trabalho forçado.
Segundo a investigação do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na silga em inglês) aponta que o Brasil compra produtos de nações que não adotam boas práticas trabalhistas.
Dessa forma, os produtos chegariam ao Brasil barateados, causando uma competição desleal com o mercado americano. No total, 60 países foram alvos desta investigação sobre trabalho forçado
A investigação coloca o Brasil no grupo de países que importaram produtos que teriam sido feitos com trabalho forçado entre 2021 e 2025. São cinco produtos listados no caso brasileiro: alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco
O USTR sustenta que o Brasil “falhou em impor e aplicar de forma efetiva” uma proibição de importação de bens feitos com trabalho forçado e afirma que, embora o país cite compromissos em acordos de investimento e comércio, essas regras não proibiriam expressamente a entrada, no mercado doméstico, de mercadorias produzidas total ou parcialmente com trabalho forçado em outro país.
O argumento principal é em torno da compra de bens de outros países que não aplicam leis trabalhistas, mas a investigação também aponta uso de trabalho forçado no Brasil em certas atividades.
O Brasil e outros 53 países são alvo da proposta de 12,5%. Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão, tiveram propostas tarifas de 10%. Segundo os Estados Unidos, essas economias impõem uma proibição à importação de produtos feitos com trabalho forçado e se comprometeram a fazer cumprir essa proibição por meio de um Acordo de Comércio Recíproco ou adotaram um regime parcial para impedir importação de determinados bens produzidos com trabalho forçado.
Tarifa de 25%
Ontem, o governo americano publicou na madrugada a decisão de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções que abrange produtos importantes da pauta de exportações do Brasil, como carne e suco de laranja. A medida entra em vigor na semana que vem, em 22 de julho.
A taxação deixará de fora laranja, suco de laranja, carne, café, petróleo e gás, além de peças e componentes aeroespaciais. Todos esses são produtos importantes da pauta de exportações brasileiras para os EUA.