ECONOMIA

Banco Central publica ata do Copom que baixou taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano

11 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Com a queda, juros básicos estão no menor patamar desde março de 2025

Fachada do Banco Central, em Brasília — Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Banco Central afirmou, em ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que há “influência relevante” de choques de oferta sobre a inflação, mas destacou que ainda há pressão relevante de demanda sobre a dinâmica de preços, exigindo que a taxa Selic continue restritiva, mesmo com a desaceleração em curso da atividade. Ou seja, para o BC, os juros têm de continuar em um patamar elevado o suficiente para seguir freando a atividade econômica. Na semana passada, o colegiado baixou a Selic em 0,25 ponto percentual pela quarta vez consecutiva, reduzindo os juros básicos de 14,25% para 14% ao ano.

“O Comitê avalia que as evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica têm se acumulado gradualmente. Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, disse, em uma ata mais enxuta que a anterior, em linha com o comunicada da última semana.

O Copom calibra a Selic para alcançar a meta de inflação, que é de 3,0% com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Atualmente, o BC projeta que o IPCA – índice oficial de inflação – deve chegar a 3,2% no primeiro trimestre de 2028, período em que sua missão é alcançar a convergência para meta (o chamado horizonte relevante). Para o fim deste ano, a expectativa atual é de 5,1%, o que descumpre o alvo, e para o término de 2027, de 3,8%.

Em um contexto de inflação ainda pressionada pela demanda, o BC sinaliza estar atento ao efeito de novos estímulos que podem pressionar ainda mais a dinâmica de preços.

O cenário de inflação divulgado pelo BC considera a trajetória da Selic do Boletim Focus, cuja mediana é de 13,75% para o fim de 2026 e de 12% para encerramento do ano que vem. Além disso, a conta considera uma taxa de câmbio que começa em R$ 5,10, o aumento do petróleo de 2,0% nos próximos seis meses e bandeira amarela na conta de luz no final de 2026. O Copom ainda destaca que “continuará acompanhando os dados para calibrar e refinar os impactos das medidas de estímulo à demanda e dos choques de oferta”.

EBC avalia que não deve reagir aos efeitos primários de choques de oferta, mas é necessário “monitorar com atenção” eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem. Nesse contexto, o BC continuou sem dar qualquer sinalização sobre seus planos para as próximas reuniões, repetindo que vai avaliar a evolução dos dados para decidir o tamanho do ciclo de “calibração” da Selic, de modo a manter um nível de “restrição adequada”. O próximo encontro é em setembro. para a inflação são mais significativos que os de baixa.

Em relação aos choques de oferta, o BC avalia que não deve reagir aos efeitos primários, mas diz que é necessário “monitorar com atenção” eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem. Ao longo do documento, o BC cita choques relacionados ao “petróleo e seus derivados”, remetendo aos impactos do conflito no Oriente Médio, e aos efeitos climáticos sobre agricultura e custos de energia, em referência ao fenômeno El Niño.

Nesse contexto, o BC continuou sem dar qualquer sinalização sobre seus planos para as próximas reuniões, repetindo que vai avaliar a evolução dos dados para decidir o tamanho do ciclo de “calibração” da Selic, de modo a manter um nível de “restrição adequada”. O próximo encontro é em setembro.

“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse.

Após ruídos de comunicação no Copom de junho, o BC divulgou uma ata bastante enxuta nesta terça-feira, adicionando poucas informações adicionais em relação ao comunicado da quarta-feira passada. De modo geral, o colegiado apresenta avaliações sobre a atividade econômica e os índices de preços um pouco melhores para a inflação futura, mas sinaliza preocupação com a distância das expectativas inflacionárias em relação à meta e com os riscos de alta nas projeções.

Dentre as novidades, o BC destacou que a trajetória de “moderação” da atividade doméstica já era antecipada pelo colegiado. Segundo o comitê, os indicadores correntes apontam para desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026, disseminada entre os componentes de oferta e demanda do produto agregado.

“Naturalmente, em momentos de inflexão no ciclo econômico, observam-se sinais mistos advindos de indicadores econômicos. O Comitê relembra que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”, reforçou.

Em relação ao mercado de trabalho, afirmou que a taxa de desemprego mantém-se em patamares historicamente baixos, mas ressaltou que o crescimento da taxa de ocupação vem apresentando desaceleração, assim como os rendimentos médios dos trabalhadores. Nesse último ponto, porém, ponderou que o crescimento da renda ainda cresce a uma taxa superior à produtitividade do trabalho em termos reais.

“O Comitê segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, enfatizando a necessidade do aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia.”

Quanto à inflação, o BC reforçou o comunicado ao avaliar que os índices que medem os preços para os consumidores desaceleraram nas leituras mais recentes, mas permanecem acima do teto da meta em 12 meses. As medidas de inflação subjacente, por sua vez, estão ligeiramente abaixo do limite de tolerância superior. Na ata, o colegiado acrescentou sua avaliação sobre a inflação ao produtor, que recuou recentemente.

“Ainda sob a mesma perspectiva das variações acumuladas em 12 meses nas divulgações mais recentes, os preços aos produtores recuaram, sob forte influência da indústria extrativa, ao passo que as medidas menos voláteis da transformação mostraram ligeira elevação.”

Por outro lado, o Copom destacou que as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e projetadas por diferentes agentes, permanecem acima da meta em todos os horizontes. Mais uma vez, o BC ressaltou que esse fator aumenta o custo do processo de desinflação sobre a atividade – ou seja, exige-se uma desaceleração econômica maior para chegar ao mesmo resultado de baixa sobre a inflação.

Nesse contexto, o Copom reforçou a mensagem do comunicado de que “monitora com atenção” a desancoragem adicional de expectativas para prazos mais longos e acrescentou que tem debatido as possíveis causas desse movimento.

“O Comitê avalia que perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária contribuirão para a reancoragem das expectativas, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo. A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado.”

Quanto à política fiscal, o BC reafirmou que há um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros.

“Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta.”

Sobre o cenário externo, o BC acrescentou que a incerteza segue em níveis elevados, tanto devido aos desdobramentos das tensões geopolíticas quanto em razão das “incertezas com relação à política econômica dos Estados Unidos”.

O economista Leonardo França Costa, do ASA, avalia que o BC se manteve “fiel” ao que disse no comunicado da semana passada, colocando-se na dependência da divulgação de novos dados para definir seus passos nas próximas reuniões do Copom. Na avaliação de França Costa, caso o atual cenário se mantenham benigno, com atividade doméstica em desaceleração e dados mais fracos de inflação, há chance de que o Copom volte a cortar 0,25 ponto percentual na reunião de setembro.

“Nosso cenário é de manutenção do atual patamar da Selic em 14% até o final de 2026, mas observamos risco crescente de um novo corte de juros no curto prazo”, explicou em breve comentário escrito sobre a ata.

Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, avalia que, combinada com o resultado do IPCA de julho, divulgado também nesta terça, a comunicação da ata do Copom indica a possibilidade de novo corte em setembro. O IPCA subiu 0,07% no mês passado, após alta de 0,16% em junho.

— Eu estava bem convicto de que BC parari o corte da Selic em 14% e seguiria para um período de avaliação, mas agora já começo a ver espaço para queda a 13,75% na próxima reunião. Abaixo de 13,75% é bastante improvável.

Segundo Teles, o que pode travar uma nova queda seria o comportamento dos preços de serviços, que voltaram a surpreender para cima no IPCA de julho, apontando para uma economia ainda aquecida.

Sobre a ata em si, Teles afirma que o BC tem dado cada vez menos norte sobre o que pretende fazer com a Selic, mas avalia que o colegiado tem destacado mais uma preocupação com a qualidade do crédito impulsionado pelo governo federal.

— Vai impulsionar o consumo e passar a ser uma das preocupações para a Selic.

Já o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, alterou o seu cenário para a taxa Selic após a ata, de 14% para 13,25%, incorporando uma expectativa de queda de 0,25 ponto percentual a cada reunião do Copom até o fim do ano.

“A revisão reflete, principalmente, nossa expectativa de continuidade da desaceleração da atividade econômica, que deverá contribuir para o processo de desinflação. Ainda assim, avaliamos que o ciclo de calibração do grau de restrição monetária deverá permanecer gradual, diante da desancoragem das expectativas de inflação e dos riscos ainda elevados em torno do cenário prospectivo”, explica.



BS20260811110111.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/11/banco-central-publica-ata-do-copom-que-baixou-taxa-selic-de-1425percent-para-14percent-ao-ano.ghtml

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