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Banco afirma ter ‘compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competente’

Algo de suspeitas de fraude financeira, o banco digital Digimais aumentou seu saldo de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo banco Digimais aumentou 1.130% de 2017 até 2025, saltando R$ 693,6 milhões para R$ 8,5 bilhões. De acordo com a representação da Polícia Federal à Justiça para autorizar a Operação Miragem, que mira a instituição ligada ao bispo Edir Macedo, o modus operandi de captação massiva de recursos por meio da oferta desses títulos se assemelha à estratégia usada pelo banco Master, de Daniel Vorcaro, liquidado no ano passado por operações irregulares.
Em nota, o banco afirma estar à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”, diz o banco.
No caso do Digimais, a PF cita que as taxas oferecidas aos clientes superavam 110% do CDI. De acordo com o balanço da instituição de dezembro de 2025, o custo de captação junto as plataformas, em percentual equivalente ao DI, correspondiam em média a 115,70%, já a taxa média oferecida aos clientes pelas plataformas girava em torno de 111,86% do CDI.
Para a PF, porém, o volume de captação não possuía lastro na capacidade patrimonial do Digimais, que sustentava sua estratégia de negócios na expectativa de cobertura por parte do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). “O que demonstra que a gestão utilizou a garantia coletiva para captar liquidez, ocultar o passivo a descoberto e transferir o risco da operação para o sistema financeiro”, diz a PF na representação que embasou a ação de terça-feira.
A Operação Miragem investiga um suposto esquema de fraudes no sistema financeiro nacional envolvendo a gestão do Digimais. Na representação, a PF aponta que o banco inflou em quase dez vezes o valor de cotas de fundos em seu balanço, contabilizando ativos que valiam R$ 71 milhões por R$ 741,348 milhões. A diferença é de R$ 670 milhões, justamente o montante autorizado para bloqueio na operação deflagrada na última terça-feira.
A PF aponta que a estratégia era “inflar artificialmente o balanço do banco” para permitir que a instituição continuasse a poder emitir CDBs, captando dinheiro do público. “Ao aumentar o patrimônio, aumenta-se o índice Basileia, que disciplina a captação de recursos no mercado”, destaca na representação.
Segundo a investigação, há indícios de crimes de gestão fraudulenta, de prestação de informações falsas em demonstrativos contábeis para “manter a aparência de riqueza”, de indução a erro ao investidor quanto à higidez de suas finanças e de fazer operação de crédito com controlador ou administrador, o que é vetado pela legislação.
BS20260625124042.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/25/banco-digimais-aumentou-saldo-de-cdbs-em-mais-de-1000percent-e-pf-ve-semelhancas-com-caso-master.ghtml

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