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Bastidores da França na Copa tiveram crise, atritos com federação e pressão de Mbappé, diz jornal

21 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Reportagem aponta desentendimentos entre jogadores, comissão técnica e dirigentes, além de negociações conduzidas por Mbappé durante o torneio

Mbappé – Foto: J.Azouze/PSG/Dilvulgação

A campanha da França na Copa do Mundo foi marcada por uma série de conflitos internos entre jogadores, comissão técnica e dirigentes da Federação Francesa de Futebol (FFF). Segundo uma reportagem publicada pelo jornal L’Équipe, o ambiente nos bastidores da seleção se deteriorou ao longo do torneio e contribuiu para o fim da passagem de Didier Deschamps pelo comando da equipe.

Após a derrota para a Inglaterra na disputa pelo terceiro lugar, Deschamps anunciou sua saída e afirmou que a decisão foi motivada por um “clima insuportável” dentro da delegação. O treinador encerrou um ciclo de 14 anos à frente da seleção francesa.

De acordo com o jornal, um dos primeiros episódios de tensão ocorreu antes mesmo do início da Copa. O presidente da FFF, Philippe Diallo, declarou que já sabia quem seria o próximo treinador da seleção, apesar de Deschamps ainda comandar a equipe. A fala causou forte desconforto na comissão técnica e obrigou o dirigente a divulgar uma retratação pública.

A relação entre os jogadores e a federação também foi marcada por divergências durante o Mundial. Kylian Mbappé precisou negociar diretamente com os dirigentes para garantir tratamentos de crioterapia, considerados fundamentais para enfrentar a onda de calor registrada nos Estados Unidos durante a competição.

Outro motivo de insatisfação foi o aumento do custo da hospedagem destinada às famílias dos atletas. Segundo o L’Équipe, os quartos inicialmente orçados em 600 euros passaram a custar 900 euros quando a delegação se instalou em Boston.

A reportagem também relata que a Federação Francesa gastou cerca de 120 mil euros para transportar 13 integrantes de seu comitê executivo em classe executiva antes da partida contra a Noruega. A decisão gerou críticas porque havia lugares disponíveis que poderiam ter sido destinados às famílias dos jogadores. Além disso, dirigentes e convidados da federação receberam um serviço de alimentação considerado superior ao oferecido aos familiares dos atletas.

Mbappé voltou a entrar em rota de colisão com Philippe Diallo ao discutir a política de premiações da seleção. O presidente pretendia pagar bônus apenas caso a França chegasse às semifinais da Copa, proposta rejeitada pelos jogadores.

“Presidente, esta é a sua primeira Copa do Mundo; para mim, é a terceira. O senhor realmente acha que chegar às oitavas ou quartas de final não tem valor?”, teria dito Mbappé ao dirigente, segundo o jornal.

Após as negociações, o atacante conseguiu ampliar de seis para oito o número de ingressos destinados a cada família e também obteve uma revisão dos bônus pagos aos jogadores.

Outro episódio citado pela publicação envolve Mohamed Sanhadji, chefe de segurança da seleção desde 2004 e figura bastante respeitada pelo elenco. A federação publicou uma vaga para substituí-lo antes mesmo do início da Copa, decisão que causou estranheza entre os atletas e aumentou o desgaste interno.

Segundo o L’Équipe, a sequência de conflitos desgastou profundamente o ambiente da delegação e levou Deschamps a recusar até mesmo uma homenagem pelos 14 anos à frente da seleção francesa, encerrando seu ciclo em meio a uma das maiores crises internas vividas pelos Bleus nos últimos anos.


BS20260721102055.1 – https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/07/21/bastidores-da-franca-na-copa-tiveram-crise-atritos-com-federacao-e-pressao-de-mbappe-diz-jornal.ghtml

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