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Autoridade monetária afirma que estímulos fiscais e de crédito podem impulsionar o consumo e dificultar a convergência da inflação para a meta

O Banco Central (BC) diz, em relatório divulgado nesta quinta-feira, que as medidas de estímulo à economia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva podem gerar riscos de alta da inflação.
Segundo a autoridade monetária, as políticas fiscais e de crédito anunciadas recentemente podem gerar um crescimento do consumo da população, deteriorando o cenário da inflação.
O BC já havia citado estímulos à demanda da economia como um risco para a alta de preços na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta segunda-feira. No Relatório de Política Monetária divulgado hoje, a autoridade monetária citou diretamente as medidas do governo como um dos fatores de pressão sobre a inflação em seu balanço de riscos.
“Estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária”, lista o BC no relatório.
Atualmente, a prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, está em 4,80% no acumulado de 12 meses, longe da meta de 3% estabelecida para este ano.
“Permanecem incertezas relevantes acerca da magnitude de seu impacto sobre a atividade econômica e sobre a inflação, dadas as especificidades e detalhes envolvendo cada política”, detalha o BC no Relatório de Política Monetária.
Cálculos do economista do Insper, Marcos Mendes apontam que as medidas anunciadas pelo governo neste ano já somam R$ 215 bilhões de estímulo à economia (1,6% do PIB, o total de produtos e serviços gerados na economia).
No total da expansão fiscal (soma dos gastos com a renúncia de receita), R$ 97 bilhões, ou 45%, são em despesas “financeiras”. São classificados nessa rubrica os recursos que o Tesouro disponibiliza para as linhas de crédito subsidiado para a aquisição de caminhões, ônibus e carros para taxistas e motoristas de aplicativo, todas operadas pelo BNDES.
Entre outras medidas está também o Desenrola 2.0, uma das grandes bandeiras do governo Lula para a eleição deste ano. O programa permite a renegociação de dívidas com acesso à crédito mais barato.
A preocupação do BC é que a economia cresça acima do seu potencial. Considerando essas novas medidas, o Banco Central revisou a projeção de crescimento da economia brasileira de 1,6% para 2%.
A revisão, segundo o BC, acontece também em meio à medidas “estímulos de natureza fiscal e creditícia”, que foram lançados pelo governo neste ano de eleição.
BS20260625135606.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/25/bc-diz-que-medidas-economicas-do-governo-lula-podem-gerar-riscos-para-alta-da-inflacao.ghtml

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