ECONOMIA

BNDES coloca mais R$ 4,1 bi e crédito disponível no Brasil Soberano 3 sobe para R$ 22,6 bi no total

1 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Terceira fase de programa de socorro para exportadores afetados pelo tarifaço dos EUA foi lançada em julho e abrirá recebimento de pedidos de empréstimos daqui a 15 dias

Terminal de Contêineres (Tecon), no Porto de Santos — Foto: Divulgação/Santos

O BNDES disponibilizará mais R$ 4,1 bilhões para a terceira fase do Plano Brasil Soberano, o programa de socorro a empresas exportadoras afetadas pelo tarifaço de Donald Trump — que, desde os ataques americanos e israelenses contra o Irã, foi ampliado para outros setores afetados pelo conflito. Com isso, a linha de crédito terá agora um total de R$ 22,6 bilhões.

Após o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovar, na semana passada, mudanças de regras de crédito para ampliar o financiamento de empresas de fertilizantes e reduzir encargos para produtores de minerais críticos, o BNDES anunciou ainda que abrirá o processo de recebimento de pedidos de empréstimo em mais uma fase do programa daqui a 15 dias.

A terceira fase do Brasil Soberano foi anunciada em julho, com a edição de uma medida provisória (MP) e cerimônia no Palácio do Planalto, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De R$ 18,5 bi para R$ 22,6 bi

Inicialmente, a nova fase teria um total de R$ 18,5 bilhões, sendo que R$ 13,5 bilhões viriam do Tesouro Nacional, e R$ 5 bilhões, do BNDES. A ampliação da linha de crédito anunciada nesta terça-feira virá da parte do banco de fomento, que passará a R$ 9,1 bilhões.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o Plano Brasil Soberano “se mostrou fundamental para ampliar o acesso das empresas brasileiras ao crédito em um momento de maior instabilidade no comércio internacional” e “contribui para preservar a competitividade das empresas”.

Com a ampliação da linha de crédito, os R$ 22,6 bilhões serão divididos da seguinte forma:

  • R$ 8,8 bilhões, para exportadores e seus fornecedores afetados pela aplicação de percentuais majorados de tarifas pelos EUA;
  • R$ 6,8 bilhões, para exportadores e seus fornecedores que exportam para países do Golfo Pérsico, região afetada pelo conflito no Oriente Médio;
  • R$ 1 bilhão, para empresas atuantes em setores industriais relevantes ao comércio exterior brasileiro;
  • R$ 4 bilhões, para empresas atuantes em atividades relacionadas à fabricação de adubos e fertilizantes ou de intermediários para fertilizantes;
  • R$ 2 bilhões, para empresas atuantes em atividades industriais e tecnológicas na cadeia de minerais críticos e estratégicos, considerando as etapas de lavra (extração do minério do solo), desde que associada a processos de beneficiamento, refino ou de transformação de minerais.

Em 15 dias, as empresas poderão protocolar pedidos de crédito diretamente no BNDES ou nos bancos repassadores.

Tipos de linhas de crédito

As linhas de financiamento abrangem os seguintes fins:

  • capital de giro;
  • capital de giro para exportação;
  • aquisição de bens de capital ou investimentos para adaptação de atividade produtiva;
  • Investimentos que propiciem a ampliação da capacidade produtiva ou o adensamento da cadeia de produção;
  • investimento em inovação tecnológica ou adaptação de produtos, serviços e processos; entre outras hipóteses definidas pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Juros abaixo das taxas de mercado

As condições de crédito, com juros abaixo das taxas de mercado, são as seguintes:

  • 9,8% ao ano, na linha de capital de giro para grandes empresas;
  • 8,3% ao ano, na linha de capital de giro para micro, pequenas e média empresas;
  • 8,3% ao ano, para empresas de todos os portes na linha de capital de giro voltado à exportação;
  • 8% ao ano, para empresas de todos os portes na linha para aquisição de bens de capital;
  • 6,5% ao ano, para empresas de todos os portes na linha para investimento;
  • 3% ao ano, na linha de crédito específica para minerais críticos.

Recursos de fases anteriores

No lançamento da terceira fase do Brasil Soberano, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que, na parcela que cabe ao Tesouro, o governo estava aproveitando recursos que já foram mobilizados pelo BNDES e que não foram utilizados, nas duas fases anteriores do programa.

Apesar da ampliação de recursos pelo BNDES, segundo Durigan afirmou na ocasião, não necessariamente todo o valor disponível seria emprestado, pois “vamos usar quando a demanda aparecer”.

No Brasil Soberano 2, anunciado em março, aconteceu coisa parecida. O programa foi lançado com R$ 15 bilhões do FGE, o fundo federal que garante o crédito ao comércio exterior, e, ao abrir o recebimento de pedidos por parte das empresas, o BNDES anunciou a disponibilização de mais R$ 6 bilhões.

Lançamento 1 ano atrás, com R$ 40 bi

O Brasil Soberano foi lançado em agosto passado, com um total de R$ 40 bilhões, e começou a operar em setembro. Do total de recursos, R$ 30 bilhões vieram do FGE e R$ 10 bilhões de recursos próprios do BNDES.

Apesar das cifras bilionárias, os empréstimos aprovados até meados de dezembro somaram R$ 16,2 bilhões, menos da metade do valor total disponível.

A primeira edição do programa se encerrou porque a MP que o criou perdeu a validade, já que não foi convertida em lei pelo Congresso dentro do prazo previsto.

BS20260901120026.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/01/bndes-coloca-mais-r-41-bi-e-credito-disponivel-no-brasil-soberano-3-sobe-para-r-226-bi-no-total.ghtml

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