ECONOMIA

Calculadora criada pela Administradora Nacional permite aos síndicos calcular gratuitamente impacto do fim da escala 6×1

23 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Ferramenta é simples de usar, bastando colocar o número de apartamentos ou casas, e a quantidade de funcionários

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL): o que os candidatos pensam sobre a jornada de trabalho – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Congresso promulgou, no último dia 16, a Emenda Constitucional que dá fim à escala 6×1 e reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. No caso de porteiros, zeladores e faxineiros, que já trabalham nessa escala, a transição é simples — complicada, porém, é a matemática a ser realizada. Para facilitar, a Administradora Nacional lançou uma calculadora gratuita para simular cenários, além de dar dicas para síndicos e administradores (confira abaixo).

A ferramenta “Quanto o fim da 6×1 vai custar ao seu condomínio?” precisa apenas do nome, número de unidades e número de funcionários para fazer as contas.

— A calculadora foi criada para dar aos síndicos uma visão mais clara desse novo cenário. Ela é bem prática e acessível: basta colocar o nome do condomínio e os números de unidades e de funcionários— afirma o economista e diretor de Tecnologia e Novos Negócios da Administradora Nacional, Victor Tulli, acrescentando: — Em dois minutos, é possível identificar quantas horas de trabalho o condomínio perde, o que custa repor com hora extra ou contratação e o impacto por unidade. A partir do resultado, o síndico consegue visualizar estimativas de custos e usar essas informações para avaliar alternativas e organizar o orçamento.

A EC prevê que os dois dias de folga e a redução da jornada de 44 horas para 42 horas semanais ocorrerá em 60 dias. A redução da carga horária de 42 horas para 40 horas, por sua vez, se derá em até 12 meses, ou, fim de 2027.

Impacto varia

Na prática, isso significa que boa parte das mudanças começam a valer já em dezembro deste ano. Tulli argumenta que poucos setores sentirão a mudança “tão diretamente” quanto os condomínios:

— Porteiros, zeladores e faxineiros estão entre as categorias em que a 6×1 ainda é regra, e a folha de pessoal costuma consumir entre 55% e 70% da arrecadação mensal. A Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC) estima que a cota condominial possa subir até 15%.

O impacto, porém, irá variar de prédio para prédio, explica. Condomínios que já trabalham com portaria em regime de 12×36 quase não sentirão a mudança. Já quem depende de um único zelador na escala 6×1 perderá um dia de semana (as folgas não precisam ser consecutivas, mas uma delas deve ser preferencialmente no domingo).

Um dos exemplos dado por Tulli, usando a calculadora, é o de um prédio com seis funcionários, quatro na escala 12×36, que cobrem a portaria 24 horas, e dois zeladores na 6×1, com 7h20 por dia e folgas revezadas entre sábado e domingo. O condomínimo tem 60 unidades.

Nesse cenário, a folha custa cerca de R$ 20.900 mensais. Os dois zeladores respondem por R$ 6.960, considerando o piso da categoria, de R$ 2.50,71, e encargos.

No caso da escala 12×36, a modalidade pode continuar existindo, mas deve atender ao teto incial de 42 horas semanais e, posteirormente, de 40 horas. A EC prevê que haja um acordo ou uma convenção coletiva para fazer a adaptação, ou então a edição de uma lei ordinária que disponha sobre as condições desses regimes. Ou seja, ainda dependerá de regulamentação.

A mudança maior, portanto, estaria com os zeladores. Como são dois, um trabalha de segunda a sexta e o outro de quarta a domingo, com as posições alternando a cada semana. No geral, segunda, terça, sábado e domingo ficam com um zelador só.

O aumento ocorreria no valor da hora trabalhada e do descanso semanal remunerado (DSR). O economista explica que o valor da hora trabalhada aumentaria, na primeira etapa, 4,8% e 10%, na segunda, “porque o valor da hora é o salário dividido pelo número de horas trabalhadas”.

Já o DSR é a fração da folga do empregado remunerada. Como antes havia apenas uma folga para seis dias trabalhados, era de 1/6. Agora, será de 2/5, o que dá um aumento de 0,16 para 0,4, isto é, 2,5 vezes.

— Para esse prédio, o aumento fica entre zero e 7,5% da folha nas saídas sem contratação em tempo integral, conforme a escolha do síndico. A saída mais barata com gente a mais é o contrato parcial para o sábado. O terceiro zelador em tempo integral só se justifica se o condomínio já queria ampliar o serviço — orienta o economista.

Veja dicas

No geral, a Administradora recomenda, inicialmente, separar o quadro. Ou seja, quem será afetado pelas mudanças (os que trabalham em 44 horas semanais em escala 6×1 ou 5×2), e quem não será afetado (quem já tem as duas folgas e já têm carga horária de 40 horas semanais).

Depois, redesenhe a escala com duas folgas antes de pensar em contratar alguém novo. “Em muitos prédios, escalonar as folgas resolve a cobertura dos sete dias”, aconselha a Administradora.

Recomenda-se também ver se a hora perdida será reposta, paga ou absorvida. Também é importante verificar a convenção coletiva do município. No Rio, a hora extra é de 60%.

Por fim, leve o número à assembleia, com a previsão orçamentária de 2027, em vez de absorver o custo por rateio extra no meio do ano.

BS20261022195229.1 – https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/10/calculadora-criada-pela-administradora-nacional-permite-aos-sindicos-calcular-gratuitamente-impacto-do-fim-da-escala-6×1.ghtml

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