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Perfis do Senado e da Alerj mencionam especialização em Ciências Políticas; equipe do presidenciável afirma que currículo correto está em seu site oficial

A campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, admitiu ontem que as páginas oficiais da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e do Senado, além de um perfil do presidenciável no LinkedIn que já saiu do ar, apresentavam informações incorretas sobre o currículo do senador. Os erros sobre a formação de Flávio, revelados pelo g1 e confirmados pelo GLOBO, vieram à tona após a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) informar não ter registro do filho de Jair Bolsonaro como aluno da instituição de ensino.
A biografia de Flávio no site da Alerj atribui ao candidato do PL uma pós-graduação em Ciências Políticas cursada na universidade — as informações disponíveis no portal são de responsabilidade de cada deputado estadual. Já o do Senado informava a mesma especialização, mas sem indicar em qual instituição teria sido obtido o certificado. Flávio foi deputado estadual no Rio antes de assumir a cadeira no Senado, em 2019.
Procurada pelo GLOBO, a UFRJ afirmou que, pelo Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (Siga), “não há registro referente ao sr. Flávio Nantes Bolsonaro como discente” na instituição. A universidade informou que o sistema foi criado em 2001 para unificar e informatizar os dados acadêmicos, substituindo sistemas anteriores. A UFRJ localizou, por outro lado, o registro do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, como concluinte do curso de Direito.
A campanha do senador alega que registros diferentes de sua formação acadêmica correta são “erros ou equívocos”. Em nota, a equipe de Flávio confirmou que a formação acadêmica do parlamentar não inclui especialização em Ciências Políticas e que o senador não estudou na UFRJ.
Segundo a campanha, o presidenciável tem graduação em Direito pela Universidade Cândido Mendes, pós-graduação em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e MBA em Empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
“Eventuais registros diferentes desses tratam-se de erros ou equívocos, possivelmente extraídos de páginas como a Wikipédia. A equipe do parlamentar já solicitou as correções junto à plataforma”, afirmou a campanha.
Segundo o g1, a menção à pós-graduação em Ciências Políticas na UFRJ constava na página com informações sobre o senador na Wikipédia até ontem, quando foi retirada após edição. Em material enviado ao portal em julho, porém, a própria assessoria do candidato havia incluído a informação em uma nota biográfica.
O site oficial de Flávio, citado pela equipe para demonstrar o currículo considerado correto, não menciona a UFRJ nem uma pós-graduação em Ciências Políticas. Na seção “Sobre mim”, o senador é apresentado como “empresário e advogado, com especializações em Políticas Públicas pelo Iuperj e em Empreendedorismo pela FGV”.
A campanha também encaminhou ao GLOBO uma imagem da página para sustentar que a biografia atualmente divulgada pela equipe do candidato não contém a informação questionada. O material, no entanto, não explica a origem das referências à pós-graduação em Ciências Políticas que constaram em páginas institucionais do Senado e da Alerj e chegaram a aparecer a ser divulgadas anteriormente pela própria assessoria do senador.
O caso de Flávio não é um episódio isolado na política brasileira. Em 2020, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicou ter feito pós-doutorado em Direito Constitucional pela Universidade de Messina, na Itália, e pós-graduação na Universidade de La Coruña, na Espanha. As instituições, porém, informaram que o curso italiano se tratou de uma especialização, equivalente a um ciclo de seminários, e que o espanhol foi apenas um curso de extensão.
Antes dele, o professor Carlos Alberto Decotelli ficou menos de uma semana no cargo de ministro da Educação, no governo Bolsonaro, após ter o diploma de doutorado contestado. Em 2009, a ex-presidente Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, também teve os cursos de mestrado e doutorado questionados. O site oficial da pasta dizia que ela teria concluído os cursos de Ciências Econômicas na Unicamp, o que nunca aconteceu.
BS20260812185004.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/12/campanha-de-flavio-admite-erro-em-curriculo-de-senador-que-citava-especializacao-em-universidade-federal.ghtml

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