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Entorno de senador avalia que transmissões ao vivo aumentaram engajamento do pré-candidato

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quer transformar as transmissões ao vivo em uma das principais ferramentas da corrida ao Palácio do Planalto. Segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO, a avaliação é que as lives feitas pelo pré-candidato nos últimos meses aumentaram o engajamento de apoiadores e mostraram potencial para aproximá-lo da base bolsonarista. A ideia agora é dar identidade própria ao formato, inspirado no modelo consolidado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas adaptada ao estilo do filho.
Embora ainda não exista um cronograma definitivo, integrantes do entorno de Flávio afirmam que a tendência é ampliar significativamente o uso das lives ao longo da campanha. Ainda não está decidido se as transmissões ocorrerão em um dia fixo da semana, nem se o senador aparecerá sozinho ou acompanhado de aliados e convidados. Um integrante da campanha resume que as lives devem acontecer “sempre que necessário”, sem ficar restritas a um calendário rígido.
A avaliação é que essa flexibilidade permitirá responder rapidamente aos principais acontecimentos políticos envolvendo o senador e disputar a narrativa dos fatos diretamente com a militância bolsonarista. Foi o que ocorreu na segunda-feira, quando a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender por 90 dias as visitas de Flávio ao pai levou a campanha a organizar, de última hora, uma transmissão para que o senador comentasse o caso com seus apoiadores.
Na live, Flávio apareceu em uma sacada no Rio de Janeiro, tendo ao fundo uma bandeira do Brasil estendida na janela. Segundo interlocutores, o formato mais espontâneo tanto de cenário como do tom mais “indignado” do pré-candidato agradou à campanha.
Na leitura de integrantes da campanha, as transmissões também acabam criando um canal mais direto entre o senador e seus apoiadores, permitindo explicar decisões políticas, responder críticas e apresentar posicionamentos sem depender de entrevistas ou agendas presenciais.
Embora Flávio já tivesse seu canal no YouTube, usado principalmente para divulgar falas suas em eventos, o movimento das lives começou há poucos meses e foi sendo intensificado gradualmente. Flávio passou a testar diferentes formatos de transmissão.
No mês passado, por exemplo, promoveu lives de “aquecimento” para partidas da seleção brasileira na Copa do Mundo, reunindo aliados como o coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o deputado Guilherme Derrite (PL-SP). O formato foi repetido em outros jogos da seleção, como os confrontos contra Japão, Escócia e Noruega.
Foi pelo YouTube, também, que Flávio explicou sua atuação nos Estados Unidos durante a disputa em torno do tarifaço proposto pelo governo Donald Trump e falou sobre sua atuação na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Também foi pelo canal que, no último sábado, leu na íntegra a carta escrita por Jair Bolsonaro durante a prisão domiciliar. No texto, o ex-presidente pediu apoio à pré-candidatura do filho e o apresentou como seu “porta-voz”. A divulgação da mensagem, porém, foi o que levou Moraes a suspender por 90 dias as visitas do senador ao pai, sob o entendimento de que Flávio utilizou o direito de visita para obter um documento destinado à divulgação nas redes sociais.
A transmissão mais recente ocorreu na segunda-feira, poucas horas depois da decisão de Moraes. Organizada de última hora, a live foi usada pelo senador para reagir diretamente à determinação judicial. Flávio afirmou que a suspensão das visitas configura uma tentativa de Moraes de “interferir nas eleições”, questionou o prazo de 90 dias imposto pelo magistrado, disse que o ministro busca um pretexto para retirar Bolsonaro da prisão domiciliar e voltou a comparar o tratamento dado ao ex-presidente ao recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando esteve preso.
A aposta nas transmissões deve continuar já nesta semana, com previsão para quinta-feira uma live com a participação de Daniella Marques, integrante da pré-campanha e coordenadora do programa “Brasil por Elas”, plano de governo do senador para o público feminino. A transmissão será utilizada para apresentar propostas voltadas às mulheres, indicando que o formato também deverá servir para divulgar e detalhar os programas de governo da campanha.
A inspiração da campanha é um modelo que Jair Bolsonaro consolidou durante sua passagem pela Presidência, especialmente a partir da pandemia de Covid-19. As lives semanais, realizadas tradicionalmente às quintas-feiras, às 19h, tornaram-se um dos principais canais de comunicação direta do então presidente com sua base de apoiadores.
Nas transmissões, Bolsonaro comentava fatos políticos, respondia perguntas e aparecia em um ambiente informal. Era comum também estar acompanhado de parlamentares, convidados e do sanfoneiro que se tornou uma marca das lives, além de contar com uma intérprete de Libras ao seu lado.
BS20260715063010.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/15/campanha-de-flavio-quer-adotar-modo-bolsonaro-e-replicar-lives-semanais.ghtml

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