Com gestoras de ex-sócio do Master, BC liquida 17 instituições em 2026, maior número desde 2002
3 de setembro, 2026
| Por: Agência O Globo
Na gestão do presidente Gabriel Galípolo, iniciada em 2025, o número chega a 21
O edifício do Banco Central, em Brasília – Foto: Marcello Casal Jr/ABr
O Banco Central renovou nesta quinta-feira o recorde recente de liquidações extrajudiciais de instituições financeiras ao encerrar as atividades das gestoras Trustee e Banvox, controladas por Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Agora, são 17 instituições com as atividades encerradas por ordem do BC em 2026, o maior número desde 2002 (24).
Na gestão do presidente Gabriel Galípolo, iniciada em 2025, o número chega a 21, começando com a intervenção no Master, em novembro do ano passado. A maior parcela das liquidações deste ano está relacionada ao escândalo do Master.
Em manifestações públicas, o presidente do BC tem argumentado que as intervenções seguem estritamente o manual técnico de governança e não são motivadas por punitivismo ou perseguição política.
No caso das instituições ligadas ao esquemas do Master as operações só foram encerradas quando efetivamente faltou liquidez em caixa para pagar as contas marcadas para o mesmo dia – ou por forte vinculação das demais empresas do grupo. Há também uma parte das liquidações que decorre de ações contra instituições que operavam com controles frouxos ou inexistentes de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD).
A Trustee é a Banvox eram do mesmo grupo e a Trustee era a líder do conglomerado. Ambas eram controladas por Maurício Quadrado. Segundo o BC, a liquidação da Trustee foi motivada por ”graves violações“ às regras que disciplinam a atividade. No caso da Banvox, o regulador explica que a decisão foi tomada considerando o vínculo de interesse, evidenciado pelo exercício do poder de controle e pela existência de administração comum, com a Trustee.
“A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada pela existência de graves violações às normas legais que disciplinam as atividades das instituições”, afirmou o Banco Central em comunicado.
Em nota, a Trustee e a Banvox afirmam que não há nenhuma irregularidade na estrutura de suas operações ou violações às normas do mercado de capitais e que a decisão do BC foi recebida com surpresa.
“As empresas jamais foram notificadas pelo Banco Central para qualquer enquadramento nesse sentido. Trustee e Banvox vinham prestando todos os esclarecimentos demandados pela autoridade monetária nos últimos meses e sanando todas as dúvidas relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master. A decisão do Banco Central foi recebida com surpresa pelas empresas, que, inclusive, não tiveram nenhum de seus executivos incluídos na denúncia do Ministerio Público na operação Carbono Oculto, apresentada na mesma data do anúncio de liquidação pelo BC.