POLÍTICA

Condução de Fachin de julgamento sobre mensagens de Vorcaro é alvo de críticas das alas de Moraes e de Mendonça no STF

17 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Condução de Fachin de julgamento sobre mensagens de Vorcaro é alvo de críticas das alas de Moraes e de Mendonça no STF

Fachin em sessão no STF que analisa abertura de investigação sobre Alexandre Moraes — Foto: Rosinei Coutinho/STF

No dia seguinte a uma das sessões mais tensas dos últimos anos no Supremo Tribunal Federal (STF), ministros criticaram a condução da crise por parte do presidente da Corte, Edson Fachin. A avaliação tanto entre aliados do ministro Alexandre de Moraes quanto de André Mendonça, os dois grupos que estiveram em lados opostos, é que o julgamento no plenário reverberou mágoas que há meses se restringiam aos bastidores do tribunal.

Há divergências, contudo, sobre a avaliação do que Fachin deveria ter feito. Uma ala considera que o presidente do STF acertou ao tentar levar para o colegiado uma disputa que já havia ultrapassado os limites dos processos e produzido uma sucessão de decisões e reações entre ministros. Nesse grupo, a crítica se concentra principalmente na execução da estratégia: faltou delimitar previamente as questões que seriam decididas, estabelecer a ordem das manifestações e impedir que intervenções e antecipações de votos mudassem o rumo do julgamento.

Outra ala faz uma crítica anterior e mais ampla: questiona a própria decisão de Fachin de levar naquele momento a controvérsia ao plenário. A proximidade das eleições e o risco de transformar a sessão em uma exposição pública das divisões internas já eram apontados nos bastidores como razões para adiar a discussão. Depois do julgamento, essa avaliação ganhou força entre integrantes desse grupo.

Flávio Dino tornou parte dessas críticas públicas durante a sessão. O ministro questionou atos adotados pela Presidência do STF na condução dos processos relacionados ao caso Master e apontou irregularidades na forma como procedimentos foram levados para análise do plenário. As manifestações de Dino se somaram a avaliações feitas reservadamente por ministros que, embora estejam em campos distintos na disputa interna, também identificaram problemas na condução do julgamento.

A avaliação de interlocutores da Corte é que Fachin perdeu, em determinados momentos, o controle sobre a condução ao permitir uma sucessão de intervenções e antecipações de manifestações. Com isso, divergências que poderiam ter ficado restritas ao debate jurídico passaram a incorporar cobranças acumuladas ao longo da crise.

Uma das críticas é que o presidente poderia ter apresentado de uma só vez seu entendimento sobre as questões preliminares antes de abrir espaço para as manifestações dos demais ministros. Dessa forma, argumentam interlocutores da Corte, o objeto do julgamento estaria delimitado desde o início e seria possível ao menos tentar formar um placar sobre alguns pontos antes de uma eventual interrupção.

Outro episódio apontado como falha foi a participação de Alexandre de Moraes na discussão de uma questão de ordem. Como o julgamento tratava diretamente de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo o próprio ministro, havia a expectativa de que Moraes não participasse da deliberação sobre o caso. Sua intervenção reforçou, entre críticos da condução da sessão, a percepção de que não haviam sido estabelecidos previamente limites suficientemente claros para a participação de cada integrante do tribunal.

A antecipação de manifestações também foi alvo de críticas de magistrados. O ponto de maior tensão ocorreu quando André Mendonça antecipou sua fala e passou a responder às críticas à sua atuação. A partir dali, cobranças que vinham sendo feitas reservadamente foram apresentadas de forma mais explícita diante das câmeras.

O embate entre Gilmar Mendes e Mendonça condensou essas divergências. Gilmar tem defendido uma atuação mais centralizada do Supremo diante dos diferentes processos relacionados ao caso Master e chegou a pedir formalmente medidas para evitar decisões inconciliáveis. Mendonça, por sua vez, tem reagido às críticas à forma como conduziu investigações sob sua relatoria.

Fachin vinha tentando administrar as divergências por meio de reuniões, telefonemas e conversas individuais com os colegas, mas o julgamento acabou levando para diante das câmeras parte das cobranças que circulavam havia semanas nos gabinetes.

Parte dessas mágoas já havia aparecido antes da sessão. Mensagens trocadas na semana passada mostram, por exemplo, que Gilmar vinha fazendo cobranças duras a Kassio Nunes Marques e Luiz Fux sobre a atuação dos dois em processos relacionados ao caso Master. Nos diálogos, revelados pelo portal Metrópoles e confirmados pelo GLOBO, o decano chegou a dizer que os colegas pareciam “servis” e “submissos” a Mendonça e cobrou que fossem abertas as contas bancárias dos envolvidos. Nunes Marques acabaria se declarando impedido no julgamento desta terça-feira.

O pedido de vista de Dino interrompeu o julgamento sem que o Supremo chegasse a uma resposta para a controvérsia. A sessão que havia sido planejada pela Presidência como uma tentativa de organizar a crise terminou sem uma solução jurídica e com as divisões internas ainda mais expostas.

BS20260916192959.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/16/conducao-de-fachin-de-julgamento-sobre-mensagens-de-moraes-e-vorcaro-e-alvo-de-criticas-de-diferentes-alas-do-stf.ghtml

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