
Em reunião institucional, TSE e Polícia Federal alinham combate a crimes eleitorais
Presidente do Tribunal destacou a atuação conjunta das instituições para garantir a segurança e a liberdade dos eleitores no pleito
Subprocurador-geral Francisco de Assis Vieira Sanseverino é o relator

Relator no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) de um pedido de investigação interna sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o subprocurador-geral Francisco Sanseverino votou contrário a abertura do procedimento e a favor da permanência dele à frente das apurações sobre o caso Master. Ele foi seguido pela subprocuradora Janice Ascari, que também se manifestou pelo indeferimento do pedido, deixando o placar em 2 a 0 pelo arquivamento. O tema está sendo analisado pelo colegiado após diálogos do banqueiro Daniel Vorcaro citarem o procurador-geral, além da revelação de uma foto de Vorcaro e Gonet em um evento em Londres.
Sanseverino alegou que uma decisão sobre eventual impedimento ou suspeição de Gonet no caso Master caberia ao Supremo Tribunal Federal (STF), não ao Conselho do MPF.
— Quanto ao afastamento da atuação do PGR nas petições em decorrência de causa processual de impedimento ou suspeição nos autos eu não conheço do pedido — disse Sanseverino. — Eventual questão processual de impedimento ou suspeição do PGR não se situa na esfera de competência deste conselho superior. A questão das suspeição do PGR deveria ser arguida no STF e avaliada pelo juiz, portanto não conheço da arguição.
Na sequência do voto, ele acrescentou que é contra uma investigação interna por não existirem conversas diretamente entre Gonet e Vorcaro. As mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que o contato ocorreria por meio do advogado Ciro Soares, próximo ao dono do Banco Master.
— Não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada e ou descontextualizada para não criar uma situação artificial que não corresponda à realidade dos fatos. Para dar início à investigação criminal, é necessário existir elementos mínimos de materialidade e autoria dos fatos — completou o relator.
Sanseverino acrescentou que a análise do celular de Vorcaro mostrou que ele não tinha salvo o contato de Gonet e que as conversas de WhatsApp do banqueiro reúnem “menções à pessoa que pode se tratar de Paulo Gonet”.
— O investigado Daniel Vorcaro não tinha o nome de Paulo Gonet na sua lista de contatos. Há o registro de conversas entre Daniel Vorcaro e Ciro Soares mas não há qualquer registro de conversa entre investigado Daniel Vorcaro e Paulo Gonet — disse Sanseverino.
A notícia de fato analisada pelo Conselho foi aberta a partir de uma representação apresentada por deputados do Novo. Os parlamentares pediram que Gonet fosse afastado da condução das investigações relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro e que um subprocurador-geral da República fosse designado para atuar nesses casos, sob o argumento de que as menções ao chefe da PGR nas mensagens apreendidas pela Polícia Federal poderiam comprometer sua imparcialidade.
Ao tratar desse ponto, Sanseverino segue na análise dos pedidos formulados pelo partido na notícia de fato. O voto do relator, no entanto, não se encerra nessa questão. Ele ainda precisa se manifestar sobre os demais pontos levantados na representação e sobre a existência, ou não, de elementos que justifiquem a abertura de uma investigação a respeito da atuação de Gonet nos procedimentos relacionados ao Master.
Após o voto de Sanseverino, os demais integrantes do Conselho Superior passam a se manifestar sobre o caso. Os conselheiros votam em ordem inversa de antiguidade, e o vice-presidente do colegiado, Nicolao Dino, que comanda a sessão no lugar de Gonet, será o último a votar. Durante o julgamento, qualquer integrante do Conselho também pode pedir vista e interromper a análise.
A subprocuradora-geral Janice Ascari acompanhou o relator, Francisco Sanseverino, ao considerar que não cabe ao Conselho afastar Gonet dos casos relacionados ao Master. Ela divergiu, no entanto, sobre o pedido de apuração. Para Janice, os elementos disponíveis ainda não são suficientes para a abertura imediata de um procedimento investigatório criminal, mas também não permitem arquivar o caso neste momento.
“Subsistem questões factuais objetivas que recomendam a coleta de informações preliminares”, afirmou Janice. A subprocuradora votou, assim, pela designação de um integrante do Ministério Público para realizar essa apuração preliminar. Ao fim dessa etapa, caberia ao membro designado, com autonomia e independência funcional, decidir se há elementos para instaurar uma investigação criminal ou se o caso deve ser arquivado.
Ao votar, a subprocuradora-geral citou especificamente a fotografia de Gonet ao lado de Vorcaro em Londres. Ela ressaltou que a imagem não se trata de uma selfie nem de um registro feito de forma aleatória, mas mostra os quatro presentes posando e sorrindo para a câmera, em um “claro momento de descontração social”. A fotografia foi revelada pelo GLOBO.
A expectativa entre integrantes da instituição é que o procedimento não resulte na abertura de uma investigação contra o chefe da PGR.
A avaliação feita por integrantes do Ministério Público ouvidos pelo GLOBO às vésperas da sessão é que, apesar do desgaste sofrido por Gonet nas últimas semanas, não há, até o momento, uma sinalização de maioria no colegiado favorável ao aprofundamento da apuração. O cenário, contudo, só será definido durante a sessão, a partir do voto do relator e das manifestações dos demais conselheiros.
O Conselho vai decidir se há elementos suficientes para que um subprocurador-geral da República seja designado para investigar eventual prática de crime comum atribuída a Gonet na condução das apurações relacionadas ao Banco Master. O procedimento se concentra sobretudo na atuação da PGR em processos envolvendo o Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
Como o procedimento envolve o próprio Gonet, a sessão é presidida pelo vice-presidente do Conselho, Nicolao Dino. Depois da apresentação do voto do relator, os demais integrantes votarão em ordem reversa de antiguidade.
A expectativa de que o resultado seja favorável a Gonet ocorre mesmo depois de uma piora no ambiente interno em relação ao procurador-geral. Como mostrou o GLOBO, a divulgação, na sexta-feira passada, de uma fotografia na qual Gonet aparece ao lado de Vorcaro, em Londres, fumando charuto, provocou indignação entre integrantes da carreira e aumentou o desgaste.
Até a publicação da imagem, as críticas eram mais isoladas e Gonet ainda encontrava uma defesa mais ampla dentro da instituição, apesar do constrangimento provocado pelas mensagens encontradas pela Polícia Federal.
A fotografia tornou o ambiente mais desfavorável ao procurador-geral, inclusive entre integrantes do MPF que até então vinham defendendo sua atuação.
O incômodo também chegou a integrantes do próprio Conselho. Nos últimos dias, conselheiros relataram surpresa e desconforto com o conteúdo das mensagens divulgadas. Ainda assim, esse mal-estar não se traduziu, até agora em uma sinalização de votos suficientes para a abertura de uma investigação.
Em nota divulgada após a revelação da imagem, a PGR confirmou a autenticidade da fotografia e afirmou que o próprio Gonet já havia admitido publicamente ter participado do evento em Londres, ao lado de outras autoridades.
A Procuradoria ressaltou ainda que o ministro André Mendonça, então relator do caso no Supremo, afirmou durante o julgamento da semana passada que não havia identificado nada de grave nas menções feitas ao procurador-geral nas mensagens encontradas no celular de Vorcaro.
Gonet também se manifestou no procedimento em tramitação no Conselho. O procurador-geral negou manter relação de amizade com Vorcaro e afirmou não possuir interesse pessoal nos processos relacionados ao ex-banqueiro. Sustentou ainda que não há elementos que justifiquem a abertura de uma apuração sobre sua conduta.
O Conselho Superior é o órgão máximo de deliberação do MPF e tem dez integrantes: o procurador-geral e o vice-procurador-geral da República, que são membros natos, além de oito subprocuradores-gerais eleitos. O corregedor-geral também participa das reuniões, mas não tem direito a voto.
O procedimento analisado pelo Conselho tem como pano de fundo mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro. Parte das conversas ocorreu entre o ex-banqueiro e o advogado Ciro Soares, que já atuou para o Banco Master e aparece como intermediário de contatos entre Gonet e Vorcaro.
As mensagens abrangem o período entre 2024 e 2025. Em abril de 2024, Ciro disse a Vorcaro que “Gonet é firme” e acrescentou que “amizade é tudo”. Já em março de 2025, o advogado enviou ao banqueiro uma fotografia ao lado do procurador-geral e escreveu: “Liga aqui. Ele quer falar com você”. Na sequência, aparecem registros de chamadas telefônicas, uma delas com duração de três minutos e 49 segundos. A PF não identificou o conteúdo das ligações.
Em outros momentos, Ciro encaminha a Vorcaro mensagens que atribui a Gonet. Em uma delas, o procurador-geral teria dito estar “na torcida” pelo banqueiro. Em outra, o advogado afirma que Gonet iria a Londres com o grupo. As conversas também fazem referências a charutos e uísque e registram uma pergunta sobre a possibilidade de o filho do procurador-geral participar da viagem.
Gonet nega manter relação de proximidade com Vorcaro. Durante a sessão do Supremo da semana passada, afirmou que encontrou o ex-banqueiro uma única vez, em Londres, na presença de outras autoridades, e classificou o contato entre os dois como “brevíssimo e banal”. Em manifestação encaminhada ao Conselho Superior, também afirmou se considerar plenamente apto a continuar atuando nos procedimentos relacionados ao Master.
Embora seja presidente do Conselho, Gonet não participará da deliberação sobre o próprio caso. Com isso, nove dos dez integrantes do colegiado estarão aptos a votar.
O primeiro a se manifestar será o relator do procedimento, o subprocurador-geral Francisco de Assis Vieira Sanseverino, que apresentará o relatório. Pelo regimento, após essa etapa poderão ocorrer sustentações orais, caso tenham sido requeridas, com duração de até 15 minutos. Sanseverino então apresentará seu voto e, na sequência, os demais conselheiros votarão em ordem inversa de antiguidade. Nicolao Dino, por presidir a sessão, votará por último.
A sessão desta sexta-feira não decidirá diretamente se Gonet cometeu alguma irregularidade. O que estará em discussão é se existem elementos suficientes para designar um subprocurador-geral da República para investigar eventual prática de crime comum atribuída ao chefe da PGR. Essa atribuição do Conselho está prevista na Lei Complementar 75, que organiza o Ministério Público da União.
Se prevalecer o entendimento de que não há elementos para avançar, o procedimento poderá ser arquivado. Caso o Conselho entenda que os fatos merecem aprofundamento, será designado um subprocurador para conduzir a apuração. Um pedido de vista de qualquer conselheiro também pode interromper o julgamento.
Não há, até o momento, indicação oficial de que Gonet fará uma manifestação durante a sessão. Sua posição já foi apresentada por escrito ao Conselho. Por ser diretamente interessado no procedimento, ele não participará da deliberação, que será conduzida por Nicolao Dino.
BS20260925130528.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/25/gonet-conselho-mpf.ghtml

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