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Relação com Donald Trump, proposta de vender parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo e reação de federações ampliam isolamento do presidente da entidade

A pressão sobre Gianni Infantino atingiu um novo patamar nos bastidores da Fifa. Após meses de desgaste provocado pela aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pela proposta de criar uma empresa para administrar e comercializar os torneios da entidade, o dirigente suíço agora enfrenta resistência de aliados históricos e vê crescer um movimento interno que ameaça seus planos de permanecer no comando do futebol mundial.
O descontentamento começou ainda antes da Copa do Mundo de 2026, mas ganhou força durante o torneio. Nos bastidores da Fifa, dirigentes passaram a questionar o protagonismo dado a Trump ao longo da competição, desde a cerimônia de abertura até aparições frequentes em eventos oficiais. A avaliação de parte das federações é de que a imagem institucional da entidade acabou excessivamente associada ao presidente americano.
Outro fator que aprofundou a crise foi o vazamento de informações confidenciais de dentro da própria Fifa. Entre os episódios mais sensíveis está a divulgação de uma ligação telefônica em que Trump teria solicitado a reversão da expulsão do atacante americano Folarin Balogun durante o Mundial. Segundo relatos, apenas um grupo restrito de dirigentes tinha conhecimento do contato, o que levantou suspeitas sobre uma articulação interna para enfraquecer politicamente Infantino.
A repercussão foi imediata. Poucas horas depois do episódio, a Uefa voltou a endurecer o discurso contra o presidente da Fifa. O dirigente da entidade europeia, Aleksander Ceferin, que já vinha criticando decisões recentes da administração de Infantino, liderou uma nova ofensiva política. O caso também gerou desconforto pela decisão do Comitê Disciplinar da Fifa de tratar o episódio sem consultar todos os seus integrantes, aumentando as críticas sobre a condução dos processos internos.
Nos bastidores, também chamou atenção a revelação do projeto para vender parte dos direitos comerciais das principais competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo. A proposta prevê a criação de uma empresa responsável pela gestão desses ativos, com a possibilidade de venda de participação a investidores privados. Embora a entidade tenha afirmado posteriormente que não pretende abrir mão do controle da governança nem vender o futebol, a iniciativa provocou forte reação de federações nacionais e confederações continentais.
O movimento acelerou o afastamento de dirigentes que até então sustentavam politicamente o presidente. Segundo interlocutores, Infantino tem buscado conversas individuais para entender o motivo da mudança de postura de antigos aliados. A avaliação interna é de que os próximos meses serão decisivos para definir sua capacidade de reunir apoio suficiente para disputar um novo mandato.
Enquanto isso, projetos considerados prioritários pela atual gestão, como a ampliação da Copa do Mundo para 64 seleções na edição de 2030 e a consolidação do novo formato do Mundial de Clubes, perderam espaço na agenda política da entidade. A principal preocupação passou a ser a preservação da estabilidade institucional da Fifa e da liderança de Infantino.
Entre os dirigentes, cresce a percepção de que Aleksander Ceferin pode exercer papel central na reorganização do cenário político internacional do futebol. O presidente da Uefa mantém influência significativa sobre diversas federações europeias e aparece como uma das principais vozes de oposição à condução da atual administração da Fifa.
Em meio ao ambiente de tensão, o secretário-geral da entidade, Mattias Grafström, divulgou uma carta defendendo a preservação da estabilidade institucional da Fifa e reafirmando o compromisso com os princípios que, segundo ele, sustentaram o crescimento da organização nos últimos anos.
BS20260805085531.1 – https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/08/05/crise-na-fifa-plano-para-enfraquecer-infantino-nasce-dentro-da-propria-fifa.ghtml

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