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Políticos que viajaram aos Estados Unidos seguem livres, enquanto outros chegaram a ser presos na Itália e Paraguai

A fuga do candidato derrotado à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos aumentou a lista de bolsonaristas que deixaram o país diante de pendências na Justiça brasileira. Enquanto o parlamentar e os demais que foram para os Estados Unidos seguem livres, alguns, como a deputada cassada Carla Zambelli e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques chegaram a ser presos no exterior.
Em comum, todos eles foram alvos de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. E deixaram o Brasil sem serem impedidos pelas autoridades. A saída deles do país só foi divulgada depois que já se encontravam no exterior.
Deixou o Brasil pela Argentina na noite de segunda-feira, um dia após Moraes determinar a entrega de seus passaportes. Em um avião fretado, parou no Equador e seguiu viagem para Miami, nos Estados Unidos, onde desembarcou na manhã desta quarta-feira.
Flávio é investigado em dois inquéritos no Supremo que apuram um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas – um deles por meio de plataformas de apostas virtuais, as bets, e o outro via financiamento do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória política de seu pai, Jair Bolsonaro.
O ex-deputado irmão de Flávio anunciou que iria se licenciar do mandato e se mudar para os Estados Unidos em março de 2025. Na época, ele afirmou que havia a possibilidade de Moraes decretar um mandado de prisão contra ele, embora não fosse alvo de investigação. Desde então, ele vive no Texas, de onde articulou com integrantes do governo Donald Trump sanções contra o Brasil para tentar pressionar as autoridades brasileiras a aliviar a pena aplicada ao seu pai.
Eduardo teve o mandato cassado por excesso de faltas e foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto por tentativa de interferir no julgamento do pai. A sentença foi aplicada pela Primeira Turma do Supremo, da qual Moraes faz parte, quando ele já estava nos EUA.
A fuga do ex-deputado ocorreu de forma clandestina em setembro de 2025, pouco antes da conclusão do processo da trama golpista na Primeira Turma do STF.
Delegado de carreira da Polícia Federal e ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Ramagem saiu do país por via terrestre através da Guiana, sem passar por nenhum posto migratório. Atualmente, ele mora nos Estados Unidos com a família.
Ramagem foi condenado no processo da trama golpista e depois teve a prisão decretada por Moraes, quando foi descoberta a sua fuga. Dos Estados Unidos, a esposa de Ramagem chegou a concorrer ao cargo de deputada federal neste ano, mas não obteve votos suficientes.
A ex-deputada foi condenada a 10 anos de prisão por envolvimento em uma invasão hacker a sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O caso foi relatado por Moraes no Supremo. Antes de esgotarem os recursos judiciais contra a sentença, Zambelli decidiu deixar o país e, após viajar aos Estados Unidos, foi para a Itália. Ela tem cidadania italiana.
Em junho de 2025, Moraes mandou prender Zambelli, que foi incluída na lista vermelha da Interpol. Ela chegou a ser detida pelas autoridades italianas e ficou encarcerada por pouco menos de um ano, até que em maio deste ano ela foi libertada.
A Corte de Cassação da Itália, equivalente ao STF do país europeu, decidiu revogar a decisão que havia autorizado a extradição da ex-parlamentar ao Brasil. Ela permanece na Itália.
O ex-diretor-geral da PRF Silvinei Vasques foi preso em dezembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Assunção, no Paraguai, em uma tentativa de fuga, após romper a tornozeleira eletrônica. Ele tentava embarcar em um avião que iria a El Salvador, na América Central. Silvinei foi detido com um passaporte original que não condizia com as suas informações.
A Suprema Corte havia condenado Vasques a 24 anos e seis meses de prisão pela participação na trama golpista dez dias antes da tentativa de fuga. Segundo a denúncia da PGR, ele integrava o chamado “núcleo dois” do plano golpista, acusado de usar a máquina pública para interferir nas eleições de 2022 e manter Jair Bolsonaro no poder.
O bolsonarista já havia sido preso antes, em agosto de 2023, em virtude da atuação ao ordenar bloqueios da PRF em rodovias no segundo turno das eleições de 2022. Conforme investigações, a medida visava dificultar o trânsito de eleitores na Região Nordeste, onde o presidente Lula obteve votação expressiva. Atualmente, Silvinei cumpre pena em Brasília.
O jornalista e blogueiro chegou a ser preso pela primeira vez no âmbito de um inquérito que apurava o financiamento e organização de atos antidemocráticos pelo país, em 2020, durante o governo Bolsonaro.
Depois, já livre, ele voltou a ser investigado no fim de 2022 pela suspeita de incitar um golpe de Estado. Desde então, ele se encontra foragido da Justiça, tendo passado por países como Paraguai, México e Espanha. Ele mora atualmente na nação europeia.
O governo brasileiro tentou extraditá-lo, mas o pedido foi negado pela Justiça espanhola, em 2025. O jornalista chegou a concorrer de forma remota a um cargo na Câmara dos Deputados neste ano, mas não se elegeu.
BS20261028153605.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/10/28/de-rota-pelo-paraguai-a-fronteira-da-guiana-como-bolsonaristas-fugiram-do-brasil-antes-de-flavio.ghtml

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