POLÍTICA

Defesa de Flávio pede Mendonça como relator de investigação no lugar de Moraes e fim de proibição de contato com Willer Tomaz

3 de novembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Advogados alegam conexão com investigação sobre fraudes no INSS e questionam imparcialidade de Moraes por vínculos de aeronave investigada com escritório de sua esposa

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ministro André Mendonça assuma, no lugar de Alexandre de Moraes, a relatoria da investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. Os advogados também solicitaram a revogação das medidas cautelares impostas ao senador, incluindo a proibição de manter contato com Willer e a determinação de entrega de seus passaportes.

Os pedidos foram apresentados em três petições protocoladas na sexta-feira. Duas foram encaminhadas ao presidente do STF, Edson Fachin, e questionam a permanência de Moraes na condução do inquérito. A terceira, dirigida ao próprio relator, pede a revisão das restrições impostas a Flávio após sua derrota na eleição presidencial.

Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-Locka, em Miami, Flórida, em 28 de outubro de 2026 – Foto: RS/Fotos Públicas

A defesa sustenta que Mendonça deveria ser o responsável pela investigação por já conduzir procedimentos relacionados a Willer Tomaz no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do INSS.

Segundo os advogados, a investigação sobre Flávio teve origem em elementos obtidos em apurações anteriores envolvendo o advogado e sua rede de empresas. Por isso, argumentam que Mendonça seria o relator prevento, ou seja, aquele que, por já atuar em procedimentos conexos, teria competência para conduzir os desdobramentos da investigação.

“Todos os elementos dos autos convergem para a prevenção do Exmo. Ministro André Mendonça. Sua Excelência supervisiona, desde agosto de 2025, a Operação Sem Desconto e, desde 17.07.26, a Petição nº 16.435/DF, que apura a mesma estrutura atribuída a Willer Tomaz, descrita pela Polícia Federal como ‘hub financeiro, patrimonial e logístico’ de lavagem de capitais”, afirma a defesa.

Em outra frente, os advogados pedem que Moraes seja declarado impedido ou, alternativamente, suspeito para continuar à frente do caso. O argumento é que a investigação envolve uma empresa proprietária de uma aeronave utilizada pelo ministro e que teria relações com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A Polícia Federal identificou, entre os elementos investigados, uma viagem realizada em janeiro de 2025 por Flávio, sua mulher, duas filhas e Willer Tomaz, de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília. O deslocamento ocorreu em um jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR, pertencente à empresa Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A.

A empresa tinha entre seus sócios Willer Tomaz. Uma terceira participação foi adquirida pela Prime You, companhia da qual Vorcaro foi sócio.

A defesa argumenta que cotas da empresa proprietária da aeronave teriam sido destinadas ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, em uma negociação relacionada a contratos firmados com o Banco Master.

Para os advogados, essa circunstância poderia representar um conflito de interesses, uma vez que a investigação conduzida por Moraes alcança empresas e operações financeiras relacionadas à aeronave.

Na petição, a defesa ressalta, porém, que não está afirmando que o ministro tenha atuado ou venha a atuar movido por interesses particulares. O argumento é que a existência de possíveis vínculos jurídicos e patrimoniais justificaria seu afastamento da relatoria para preservar a imparcialidade da investigação.

Além de tentar retirar Moraes da condução do inquérito, a defesa busca reverter as medidas cautelares impostas ao senador. Em decisão tomada após o segundo turno das eleições, o ministro determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio, a entrega de documentos de viagem de outras nacionalidades e a proibição de contato com Willer Tomaz.

Os advogados contestam os fundamentos utilizados para justificar as restrições e afirmam que elementos apontados pela Polícia Federal não demonstram a participação do parlamentar em atividades ilícitas.

Entre os pontos questionados estão o fato de Flávio aparecer como contato favorito de Willer em um aplicativo de mensagens e o pagamento de passagens aéreas pelo advogado. Segundo a defesa, essas circunstâncias decorrem da relação de amizade entre os dois e não constituem, por si só, indícios de envolvimento em um esquema criminoso.

BS20261102183921.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/11/02/defesa-de-flavio-pede-mendonca-como-relator-de-investigacao-no-lugar-de-moraes-e-fim-de-proibicao-de-contato-com-willer-tomaz.ghtml

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