POLÍTICA

Deputados governistas levam aos EUA defesa do Pix e cooperação contra facções, mas não se encontram com Republicanos

11 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Grupo tenta se contrapor às investidas bolsonaristas junto a autoridades americanas; extradição de Ramagem e investigações pelo filme ‘Dark Horse’ também estiveram em pauta

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O grupo de parlamentares da base lulista que foi aos Estados Unidos na semana passada apostou em três pautas durante os encontros com autoridades locais: as novas tarifas determinadas pelo presidente Donald Trump contra o Brasil, a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas e as investigações que apontam o elo entre a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o Banco Master. Os deputados Pedro Uczai (PT-SC), Jandira Feghalli (PCdoB-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e André Janones (Rede-MG) levaram as demandas a membros do partido Democrata e da Organização dos Estados Americanos (OEA), mas não conseguiram agendas com o departamento de Justiça americano ou com autoridades da sigla republicana.

Em uma tentativa de contraponto às investidas bolsonaristas junto a autoridades americanas, os deputados lulistas apresentaram três documentos nas agendas. Entre os parlamentares que receberam o grupo, entre os dias 3 e 5 de junho, estão as deputadas Ilhan Omar e Sydney Kamlager-Dove, e o deputado Jim McGovern. A equipe do senador Bernie Sanders também ouviu a demanda dos brasileiros. No mês passado, uma comitiva bolsonarista esteve na Casa Branca junto a Trump.

Uma das bandeiras atuais do governo Lula, a soberania brasileira foi pauta nos encontros. O primeiro documento demanda a cooperação dos Estados Unidos no combate ao crime organizado, para que não haja uma intervenção unilateral americana no Brasil. Neste mês, entrou em vigor a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando Capital (PCC) como organizações terroristas.

Os parlamentares governistas pedem também apoio dos Estados Unidos para a extradição do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão no processo da trama golpista, e do empresário Ricardo Magro, que vive em Miami e é acusado pela Polícia Federal (PF) de dar um calote bilionário nos cofres públicos ao sonegar impostos por meio da Refit.

O segundo documento trata sobre as investigações acerca de pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, ao filme “Dark Horse” — sobre a vida de Jair Bolsonaro. Como revelou o jornal The Intercept Brasil, Vorcaro autorizou o repasse de R$ 61 milhões ao longa após pedido do senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL). Os parlamentares governistas sustentam a existência de indícios de lavagem de dinheiro e pedem aos americanos cooperação com mecanismos de investigação que permitam rastrear o caminho percorrido por este dinheiro.

Os governistas apontam a necessidade de uma “apuração de uma possível triangulação financeira transnacional” e citam um “potencial benefício direto ou indireto a Eduardo Bolsonaro”. No documento, os parlamentares da base de Lula citam que o ex-deputado federal “tem mantido atuação política em território norte-americano em articulação contra autoridades brasileiras, contra instituições nacionais e em favor de pressões externas sobre o Brasil”.

Já a terceira frente contesta a investigação que deu origem às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil e pede o cancelamento da medida. Entre os argumentos apresentados pela Casa Branca para justificar o tarifaço estão: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico (nas quais se inserem as críticas ao Pix e decisões que atingem big techs), tarifas preferenciais consideradas injustas pelos EUA, aplicação de leis anticorrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, e desmatamento ilegal.

— O Pix é muito popular e é nosso. Não vamos aceitar intervenção internacional a ele — afirma Feghalli, que destaca ter havido surpresa entre parlamentares democratas com os temas levantados nas reuniões: — Estão em choque. Eles não se surpreendem com o Trump, mas acharam inadmissíveis as medidas contra o Brasil. Estão preocupados com intervenções americanas em democracias de outros países.


BS20260611165715.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/11/deputados-governistas-levam-aos-eua-defesa-do-pix-e-cooperacao-contra-faccoes-mas-nao-se-encontram-com-republicanos.ghtml

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