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No Dia Nacional de Conscientização da condição genética rara e grave, Saúde destaca a importância do tratamento oferecido pelo SUS para evitar complicações em órgãos como coração e rins
Uma dor persistente nas mãos e pés, comparada por pacientes à sensação de “pisar em uma chapa quente”, pode ser o primeiro sinal de uma condição genética rara e grave: a Doença de Fabry. Neste 28 de abril, dia nacional de conscientização sobre a doença de Fabry, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) reforça o alerta para os sintomas e destaca o pioneirismo da capital no rastreio da enfermidade.
A doença é causada pela deficiência da enzima alfa-galactosidase A, o que leva ao acúmulo de uma proteína da família dos glicosfingolipídeos nas células de todo o corpo. Sem o metabolismo correto, essa substância se deposita em órgãos vitais, podendo causar insuficiência renal, Acidente Vascular Cerebral (AVC) precoce e hipertrofia do coração.
O Distrito Federal destaca-se no cenário nacional ao incluir o rastreio da Doença de Fabry no Teste do Pezinho Ampliado, oferecido na rede pública. Graças a essa iniciativa, bebês já foram diagnosticados precocemente no DF, permitindo um monitoramento antes mesmo do surgimento de danos irreversíveis.
“O diagnóstico precoce é fundamental porque o tratamento impede novos depósitos da substância nos órgãos, protegendo o paciente contra desfechos graves como o transplante e o derrame”, explica Sandra Marques, médica cardiologista e referência no atendimento da doença no DF.
Embora os danos mais severos apareçam na fase adulta, os sinais costumam surgir ainda na infância. Episódios de dores intensas nas extremidades, fadiga excessiva e alterações gastrointestinais são frequentes.
“Geralmente, as pessoas costumam chamar de ‘criança manhosa’. Mas, na verdade, essa criança sente muita dor, uma dor que não responde nem à morfina e só melhora com a enzima. É preciso valorizar as queixas das crianças para não causar um problema futuro para a família e a sociedade”, alerta a especialista.
Com o tempo, a doença evolui para a falência dos órgãos, causando no coração hipertrofia, infarto e insuficiência cardíaca. Nos rins, ocorre insuficiência crônica, que pode levar a necessidade de diálise e transplante renal. No sistema nervoso, além da dor neuropática, causa AVC em idades precoces e dilatação de vasos cerebrais.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a Terapia de Reposição Enzimática para pacientes diagnosticados. O medicamento é distribuído pela Farmácia de Alto Custo e a infusão é feita de forma endovenosa, a cada 15 dias. No Distrito Federal, o serviço de referência é o Hospital de Apoio de Brasília (HAB), onde os pacientes contam com acompanhamento especializado.
“O dia da conscientização é um grande chamado, porque temos o tratamento disponível no SUS. O tratamento permite que o paciente tenha uma expectativa de vida igual à da população em geral”, finaliza a médica.
Ao identificar sintomas como dores de queimação nas mãos e pés, cansaço sem causa aparente ou histórico familiar de doenças cardíacas e renais precoces, o cidadão deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Se houver suspeita de doença rara, o paciente será encaminhado para especialistas em genética, cardiologia ou nefrologia da rede de saúde do DF.

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