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Moeda acumula desvalorização firme desde outubro com perspectiva de ajuste fiscal a partir de 2027

O dólar encerrou esta terça-feira aos R$ 4,97, no menor valor para a moeda desde o fim de maio. O movimento é de extensão ao rali no mercado financeiro da última segunda-feira, após Flávio Bolsonaro (PL) terminar na dianteira de Lula (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais.
Em momentos de cotações baixas, quem viaja no fim do ano e precisa adquirir a moeda se questiona: a hora de comprar é agora ou vai cair mais?
Grandes bancos internacionais até estimam quedas adicionais no preço do dólar, mas especialistas afirmam que esperar pode não ser a melhor estratégia.
Para o UBS BB, o câmbio deve permanecer em torno de R$ 5 no curto prazo, mas os analistas da instituição enxergam, “caso o segundo turno reforce o resultado de domingo, e desde que o petróleo continue favorável, o câmbio poderia caminhar para R$ 4,50 ou R$ 4,60 nos três a seis meses seguintes”. Já o banco americano Morgan Stanley vê espaço de 10% de valorização para o real.
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o ideal para quem vai viajar para o exterior é buscar o chamado “preço médio”: compras paulatinas da moeda, com diferença entre semanas, para tentar não apostar num dia de dólar muito baixo ou comprar quando ele sobe muito:
— O ideal é comprar, sim uma boa parte, aproveitando o recuo após a eleição. Mas não é bom comprar tudo de uma vez. O ideal é realizar uma média. Você consegue aliviar mais o risco não concentrando tanto a compra num único dia, diluindo os riscos — ele diz.
Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue, lembra que o câmbio é afetado por diversas variáveis, e reforça a ideia do preço médio:
— É impossível prever para onde vai o dólar. O ideal é ir fechando a compra aos poucos e, por conta dessa imprevisibilidade, faz sentido ir fechando o câmbio aos poucos e de forma consistente — ela diz. Juliana lembra que, apesar da forte desvalorização da moeda diante do resultado eleitoral, pesa sobre a dinâmica o cenário externo. É que, diante da economia aquecida e a consequente inflação resiliente nos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) pode subir os juros para frear o aumento de preços na economia. O movimento pode elevar o preço da moeda no curto prazo.
Confira abaixo os meios para comprar dólar e quais são suas vantagens e desvantagens.
Mais conhecidas pelos cartões Wise e Nomad, a modalidade é oferecida também por diferentes bancos e corretoras. Na prática, ela é uma conta corrente aberta no exterior. O cadastro pode ser feito de forma simples, pelo celular, na maioria das vezes sem taxa de manutenção.
A compra de dólares e outras moedas, como euro, libra e peso, é feita através de transferências Pix, e o cliente pode acompanhar seu saldo pelo celular. Os pagamentos podem ser feitos por cartão físico ou pelo próprio aplicativo.
Juliana, da Avenue, lembra que a cotação do câmbio, que normalmente é a comercial, é outro diferencial. Na compra de dólar em espécie ou cartões pré-pagos, a cotação é do câmbio turismo.
Antes da alteração da cobrança do IOF pelo Governo Federal, em 2025, havia vantagem tributária das contas globais. Era cobrado apenas 1,1% de imposto sobre as transações, assim como na compra da moeda em espécie. O governo, então, unificou a tributação em julho do ano passado a 3,5%.
Nas contas globais há ainda a disponibilidade de comprar aos poucos, se aproveitando de um valor médio, e deixar o dinheiro render através de aplicações em renda fixa.
A compra de dólares, euros ou outras divisas em cédulas possuem cobrança de 3,5% de IOF e as cotações nem sempre são vantajosas. Na maioria das casas de câmbio, a cotação cobrada é a turismo, que possui um acréscimo no valor por conta dos custos envolvendo a logística com o dinheiro em espécie.
Para se ter uma ideia, nesta quarta-feira, o dólar comercial encerrou aos R$ 4,97, enquanto o dólar turismo fechou cotado a R$ 5,17.
— O dinheiro em espécie continua útil para gorjetas, transporte e lugares que não aceitam cartão, além de servir como reserva se o cartão falhar. A quantidade depende do destino: em alguns países quase tudo se paga com cartão, em outros o dinheiro vivo ainda é bastante usado — diz Rodrigo Xavier, CEO da Oz Câmbio, que recomenda sacar parte do volume quando chegar ao destino.
O limite para embarques definido pela Receita Federal é de US$ 10 mil. A partir disso, é necessário declarar.
Nos cartões pré-pagos, conhecidos como ‘travel money’, o pagamento é realizado na hora da compra da divisa, com a cotação do momento. O IOF é, assim como o do cartão de crédito, de 3,5%. Caso o cliente não gaste tudo que depositou em moeda estrangeira nesses cartões, há a opção de resgatar sobras, mas geralmente com taxas.
A modalidade mais prática, bastando liberar as compras internacionais com o banco, pode ser também a mais custosa.
Mas atenção no uso da modalidade. Analistas afirmam que o spread, que é a diferença entre o valor cobrado pelo dólar comercial e o pago pelo cliente, costuma ser elevado neste meio de pagamento.
É que, por mais que o valor cobrado pelo dólar no cartão tenha como base a “PTAX”, cotação definida pelo Banco Central, a instituição financeira do cartão usado pode cobrar um ágio sobre o preço. Por isso, o turista deve estar atento se será cobrada a cotação do dólar no dia da compra ou na data do fechamento da fatura.
BS20261006200010.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/10/06/dolar-cai-mais-ou-e-hora-de-comprar.ghtml

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