Durigan diz que ter juros civilizados no país é caminho para discutir a questão fiscal e crédito
17 de agosto, 2026
| Por: Agência O Globo
Ministro da Fazenda participou da 27ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan: ele diz que governo quer ajudar na queda de juros e do prêmio de risco – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que ter “juros civilizados” é um dos caminhos para discutir a questão fiscal no Brasil, assim como a oferta de crédito. Para ele, os juros são o principal problema do país. Durigan participou da abertura da 27ª Conferência Anual do Santander, que acontece em São Paulo.
O ministro afirmou que se trata do “desafio do custo do dinheiro”, tanto para o Tesouro, que emite e vende títulos, quanto para a sociedade como um todo. Ele defendeu que a política fiscal é uma das frentes em que o governo tem maior capacidade para atuar e melhorar as condições econômicas, contribuindo para a queda dos juros.
— Nós vamos ter que endereçar a questão dos juros. Ainda que a gente considere uma série de medidas que explicam ou justificam o juro alto, o que está mais no controle do Estado é a condição fiscal. É a trajetória fiscal que tem que continuar sendo aperfeiçoada — disse ele, defendendo que o país tenha mesma intolerância com os gastos desregulados que teve no passado contra a alta da inflação.
Ele também garantiu que o governo espera colaborar para reduzir os juros, além do prêmio de risco do país:
— Como fizemos um ajuste de aproximadamente dois pontos percentuais do PIB, nesta gestão, esse desafio precisa ser replicado daqui para a frente. E, ao demonstrar que nós vamos fazer isso, eu espero que a gente avance para a etapa de redução da taxa de risco.
Durigan tem conversado com o mercado financeiro e investidores para explicar que o ajuste das contas públicas não ficará para o próximo mandato.
— É dar essa tranquilidade, na linha do que já enviamos para o Congresso. Se a gente pegar todas as Leis de Diretrizes Orçamentárias desde 2023, temos projetado um caminho para o superávit fiscal, desde sempre — afirmou o ministro, que disse que o governo vai perseguir a trajetória de resultado fiscal prevista no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO). Ele continuou:
— Nós praticamente zeramos o déficit público.
O ministro ainda acrescentou que o governo colocou duas travas “importantíssimas” para o crescimento dos gastos obrigatórios, que devem ter um impacto de R$ 10 bilhões em 2027 e crescente nos próximos anos.
— Precisamos conter o crescimento dos gastos obrigatórios e estamos fazendo isso. Semana passada embutimos na legislação nacional duas travas importantíssimas. O caminho está muito bem pavimentado, não minimizando os problema que temos.
Liderança global
Durante sua fala no evento, Durigan apontou o Brasil como um “porto seguro” energético, fiscal e institucional. Ele disse que o país não se dobra a nenhuma potência, seja da América do Norte, Europa ou Ásia.
— O Brasil se vê como uma liderança global que merece respeito — afirmou o ministro, que aponta que o país precisa se abrir globalmente e fortalecer o comércio exterior, já que a “incerteza é a única certeza do mundo”. Ele também acrescentou:
— Com o choque do petróleo, um país que tem os potenciais que nós temos, a matriz de energia elétrica, a entrada dos biocombustíveis, a força da Petrobras, a possível descoberta de óleo na margem equatorial… o Brasil é uma força energética.