POLÍTICA

Eleições e resistência no Senado prejudicam propostas no Congresso: parlamentares entram em recesso sem votar fim da 6×1, PEC da Segurança e fim da taxa das blusinhas

16 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Senado e Câmara devem ter apenas duas semanas de votação até novembro

O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O Congresso entra a partir desta sexta-feira em recesso e não conseguiu votar diversas iniciativas consideradas prioritárias pelo governo e pela própria cúpula do Poder Legislativo.

Entre as propostas que não ainda tiveram conclusão estão a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá fim a escala de trabalho 6×1, a Medida Provisória que acaba com a chamada “taxa das blusinhas”, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança e o projeto de lei que regulamenta a exploração dos minerais críticos.

Uma das iniciativas consideradas mais sensíveis é a MP que acaba com a taxa das blusinhas, a cobrança de 20% para produtos importados de até US$ 50.

Câmara e Senado vão fazer apenas duas semanas de esforço concentrado para votar iniciativas de consenso até o fim de novembro. A MP tem validade até setembro e precisa ser votada por uma comissão mista e pelo plenário das duas Casas para ter validade permanente.

A medida é considerada prioritária pelo governo e tem sido usada para aumentar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio a sua tentativa de reeleição. A ala política do governo deseja a revogação total da tarifa, apontada nos bastidores como um foco de desgaste da atual gestão.

Boa parte das medidas travadas no Congresso se encontra no Senado, onde o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), tem travado uma queda de braço com o governo desde quando a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), foi barrada pelos senadores.

Articuladores políticos do Palácio do Planalto esperam uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alcolumbre para destravar essas iniciativas, mas o encontro ainda não foi marcado para selar a reaproximação.

A principal demanda do governo, a mudança na escala 6×1, foi aprovada pela Câmara no fim de maio e ainda não teve nenhum avanço no Senado. Interlocutores de Alcolumbre dizem que o caminho natural é que o texto comece a ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas a PEC ainda não foi despachada para o colegiado.

A PEC da Segurança, que fortalece o papel da União na área e que foi aprovada pelos deputados em março, se encontra na mesma situação que a PEC do fim da 6×1, ou seja, sem ter sido despachada para nenhuma comissão.

Aprovado pela Câmara em maio, o projeto que regulamenta a exploração de minerais críticos, também não teve nenhum encaminhamento tomado pela presidência do Senado.

O presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar (PSD), que preside o colegiado que deve analisar essas três iniciativas, ainda não conversou com Alcolumbre sobre a deliberação e elas estão com a tramitação indefinida.

Além delas, há o projeto de lei do Redata, que institui o plano de incentivos para o setor de data centers. A medida também foi aprovada pelos deputados e está sem perspectiva de ser votada pelos senadores.

Por outro lado, o Senado avançou com outras iniciativas que provocaram desgastes para o Poder Executivo, como a PEC que concede aposentadoria especial para agentes de saúde, considerada pauta-bomba pelo impacto nas contas públicas, e um projeto que dificulta a realização de abortos em crianças gestantes.

Ontem, ao conduzir a última sessão do plenário antes do recesso, Alcolumbre informou que as datas das semanas de esforço concentrado durante as eleições serão primeiro de 10 de agosto a 14 de agosto e depois de 31 de agosto a 3 de setembro. As mesmas datas também serão seguidas pela Câmara.

– O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico neste período eleitoral – disse.

Da mesma forma, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), minimizou o calendário apertado e disse que o Congresso não vai parar durante as eleições.

– Até parece que a gente não vai ter sessão. Vai ter sessão, vai ter calendário de esforço concentrado, vai ter sessão semipresencial.

Enquanto no Senado há um clima de disputa com o governo, na Câmara, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem adotado uma postura de maior proximidade com o Palácio do Planalto e tem procurado se reunir com ministros para negociar soluções para as iniciativas consideradas prioritárias pelo Executivo.

Um exemplo disso foi o acordo para impedir a votação de um projeto que prevê renegociação de dívidas rurais e que foi aprovado pelo Senado como parte do pacote de pautas-bomba com impacto fiscal.

Motta negociou com o governo a edição de uma MP para evitar que o projeto aprovado pelos senadores tivesse que ser votado pelos deputados.

Outro exemplo foi o avanço do fim da 6×1 na Câmara.

O presidente da Câmara tem buscado o apoio de Lula para o seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), que é pré-candidato a senador.

Ainda assim, Motta também tem buscado evitar pautar iniciativas que provoquem grandes divisões na Câmara e tem dado um ritmo mais lento para propostas consideradas muito vinculadas à esquerda ou à direita.

O projeto que regulamenta a punição para misoginia, demanda da base de esquerda do governo, e a PEC que reduz a maioridade penal, pedida por bolsonaristas, avançaram na Casa, mas ainda não tiveram suas tramitações concluídas e nem devem ser aprovadas pelo plenário até o fim das eleições.

Ao discursar na terça-feira no plenário, Motta evitou antecipar o que será votado nas semanas de esforço concentrado, mas reforçou que as iniciativas precisarão alcançar “consensos e convergências”.

– Para não prejudicar o debate acerca desses temas mais complexos, vamos buscar uma semana de consensos e convergências a respeito das matérias que serão deliberadas em plenário.

O projeto que eleva o limite de faturamento do programa do microempreendedor individual (MEI) para R$ 140 mil, também não foi votado, mas, diferente das outras iniciativas, há um esforço de líderes e da cúpula do Congresso para que ele seja aprovado em uma das semanas de esforço concentrado programadas para agosto.

A iniciativa faz parte do acordo político que culminou com a aprovação da PEC do fim da 6×1 na Câmara e uma forma de compensar financeiramente o setor produtivo.

Outra mudança legislativa travada na Câmara é o projeto que regulamenta a Inteligência Artificial, que foi aprovado pelo Senado no final de 2024.

Motta disse a aliados que discordâncias com o Senado sobre o teor do relatório tem atrasado a aprovação. Uma das ideias avaliadas pelo relator na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), é mudar quem fiscaliza o uso de IA. O texto do Senado determina que a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

A ideia é ter um texto de acordo com os senadores para evitar que a outra Casa Legislativa modifique a iniciativa.


BS20260716184329.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/16/eleicoes-e-resistencia-no-senado-prejudicam-propostas-no-congresso-parlamentares-entram-em-recesso-sem-votar-fim-da-6×1-pec-da-seguranca-e-fim-da-taxa-das-blusinhas.ghtml

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