POLÍTICA

Período eleitoral faz Palácio do Planalto recalcular manifestação pública de Lula em reação a tarifaço dos EUA

16 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Governo de Donald Trump confirmou aplicação de taxa de 25% sobre parte de produtos brasileiros

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores no Palácio do Planalto — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

O Palácio do Planalto está recalculando a manifestação pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reação ao tarifaço dos Estados Unidos devido à preocupação com período de defeso eleitoral, que limita manifestações e publicidades devido durante a campanha. Auxiliares próximos do presidente temem que qualquer manifestação de Lula fora do tom possa ser interpretada como ato eleitoral e motive ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, em última instância, possam levar a impugnação da candidatura de Lula.

Entre alternativas levantadas, estão uma coletiva de imprensa com ministros, uma manifestação pública de Lula ou de ministros. O formato está em discussão e a participação presidencial também. A decisão final será de Lula. Até agora, o Planalto divulgou uma nota divulgada na madrugada de quinta, em que disse que “repudia” a taxa, afirmou que irá acionar instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e criticou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A preocupação quanto a deslizes que provoquem problemas na campanha de Lula é compartilhada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) e a Advocacia-Geral da União (AGU) que têm ampliado a lupa em todo material de divulgação de ações do governo, até mesmo publicações de ministros.

Dentro desse cenário, o Planalto chegou a orientar, informalmente, o arquivamento de fotos em redes sociais que exaltem o presidente Lula. Novas postagens nesse sentido também não são recomendadas. Também há orientações sobre horários de publicação e proibição de uso de Wi-Fi do governo para postagens eleitorais. Os pedidos geraram contrariedade em ministros e integrantes do governo. Para AGU e Secom, a justificativa é de que governo não pode dar margem para interpretação de eventuais infrações à lei eleitoral.

A ala do governo que defende a rigidez do defeso eleitoral aponta que a equipe jurídica de Flavio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, estará em modo alerta para qualquer deslize de agentes do governo que justifiquem ações no TSE, comandada por Kassio Nunes Marques, indicado pelo seu pai, Jair Bolsonaro (PL). Também pontuam que a preocupação é correta diante de um cenário de eleição com resultado apertado em que todo cuidado é justificável. Lula e Kassio Nunes Marques mantém relação cordial e se aproximaram nos últimos meses, o que não dirimiu o clima de desconfiança de aliados do petista com o ministro.

Na madrugada desta quinta-feira, os Estados Unidos publicaram a decisão de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções que abrange itens importantes da pauta de exportações do Brasil, como carne e suco de laranja. A medida entra em vigor na semana que vem, em 22 de julho. A taxação deixará fora laranja, suco de laranja, carne, café, petróleo e gás, além de peças e componentes aeroespaciais.

A decisão foi tomada após a investigação da Seção 301 pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). A investigação tratava de acusações sobre supostas práticas desleais de comércio e apurava se ações do Brasil, como o uso do Pix, o desmatamento ilegal e a dificuldade dos EUA em ter acesso ao mercado de etanol brasileiro, prejudicariam as empresas americanas.



BS20260716152215.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/16/periodo-eleitoral-faz-palacio-do-planalto-recalcular-manifestacao-publica-de-lula-em-reacao-a-tarifaco-dos-eua.ghtml

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