
Governo prevê superávit ‘efetivo’ de 18,6 bilhões no Orçamento em 2027
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Em nota, governo brasileiro diz que seguirá perseguindo ‘um acordo equilibrado e mutuamente benéfico’ com os americanos

Depois da ligação entre os presidentes Lula e Donald Trump, os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, se reuniram nesta segunda-feira com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, para discutir o tarifaço imposto pelos americanos aos produtos brasileiros.
A reunião virtual durou cerca de 35 minutos e terminou sem avanço concreto.
— Obviamente nós não avançamos em nenhum ponto de negociação sobre os setores, sobre oferta, sobre conteúdo — disse o ministro Márcio Elias, acrescentando:
— Eu reiterei o propósito do presidente Lula para que nós, de fato, verdadeiramente, trabalhemos para que haja um acordo mais abrangente possível, que afaste essas tarifas indevidas e injustas. Ele, por outro lado, mencionou ter acompanhado o telefonema na presidente Lula e disse também trabalhará para que nós cheguemos a um consenso ou um acordo.
O ministro disse acreditar que a retomada das negociações ocorre em novo cenário, após o “compromisso político” dos dois presidentes. Destacou que as equipes técnicas farão reuniões virtuais nas próximas semanas e eventualmente, presenciais no final de setembro,.
— Eu mencionei a eles que não é do interesse do Brasil que haja uma retração da participação dos Estados Unidos na nossa pauta exportadora. Ao longo de dois séculos eles foram o principal parceiro comercial do Brasil. Nós queremos que isso volte a acontecer, mas para isso é preciso que haja na parte deles o reconhecimento de que para reequilibrar o acordo precisa ser reciprocamente bom— afirmou o ministro.
Em nota divulgada logo após o encontro, o governo brasileiro reafirmou que busca o diálogo para rever as tarifas. Além disso, os dois países concordaram em voltar a se reunir em data que ainda será programada, “a fim de revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas nas próximas semanas”. As próximas reuniões podem ser virtuais ou presenciais.
“O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanas, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países”, diz nota divulgada pelos Ministérios de Relações Exteriores e do Desenvolvimento.
De acordo com o comunicado, os ministros reiteraram que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, “que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio”.
Em julho, os Estados Unidos anunciaram a decisão de aplicar as tarifas de 25% e 12,5% sobre os produtos exportados para o mercado americano — as taxas se somam.
Levantamento do ministério aponta que 52,7% da pauta exportadora para os estados não enfrenta imposição de sobretaxa e 47,3%, estão sujeitos a alguma tarifa. Segundo a pasta, 8,6 mil empresas estão sendo afetadas pelo tarifaço.
Na nota, o governo brasileiro disse que os ministros indicaram que as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio americana “não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil”.
O governo brasileiro repetiu ainda que seguirá perseguindo “um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional”.
BS20260831185641.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/31/em-reuniao-com-os-eua-governo-lula-defende-dialogo.ghtml

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