ECONOMIA

Embraer estuda ampliar capacidade de produção global com linhas de montagem nos EUA e Índia, diz CEO da empresa

10 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Fabricante de aviões brasileira bateu recorde na carteira de pedidos, que chegou a US$ 34,5 bilhões

Cargueiro KC-390, da Embraer: segmento de defesa é beneficiado com cenário geopolítico turbulento — Foto: Divulgação

A Embraer planeja expandir sua capacidade de produção global para atender ao crescimento da demanda por aeronaves. O presidente da fabricante de aviões brasileira, Francisco Gomes Neto, afirmou durante apresentação dos resultados da empresa que a possibilidade de uma linha de montagem está sendo discutida com a Índia, focada inicialmente no KC-390 (avião de transporte militar multimissão), e possivelmente estendendo-se para aviões comerciais. Também existe o estudo para implementar uma nova linha de montagem nos Estados Unidos, condicionada ao tamanho de novos pedidos e ao sucesso de campanhas de venda no país.

Os EUA concentram cerca de 45% das vendas de jatos comerciais e 70% dos jatos executivos da Embraer, além de existirem negociações estratégicas em andamento para a aquisição do KC-390 pela Força Aérea Americana. A companhia já possui linha de montagem nos Estados Unidos, especificamente em Melbourne, na Flórida, onde monta jatos executivos das famílias Phenom e Praetor. No entanto, a montagem de jatos comerciais e os principais centros de engenharia continuam concentrados no Brasil.

A carteira de pedidos da companhia, no segundo trimestre, alcançou o patamar histórico de US$ 34,5 bilhões (cerca de R$ 175 bilhões), o sétimo crescimento trimestral consecutivo. A Embraer ficou isenta do tarifaço de 25% imposto pelo governo de Donald Trump a uma série de produtos brasileiros.

— A companhia está investindo em eficiência e expansão para atingir, até 2030, uma capacidade anual de 110 a 120 aviões comerciais, mais de 200 jatos executivos e mais de 10 unidades do KC-390 no Brasil — disse Francisco Neto, que garantiu que a capacidade de produção não será um limitador para o crescimento futuro.

Neto citou as recentes encomendas feitas no segundo trimestre. A Azorra, empresa americana de arrendamento e financiamento de aeronaves, encomendou 15 aeronaves E195-E2, mantendo o direito de compra de outras 15 unidades. Já os Emirados Árabes Unidos fizeram um pedido de dez aeronaves C-390, com opção para mais dez.

No início de agosto, a Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC) também assinou um contrato para a aquisição de duas aeronaves multimissão KC-390 Millennium, tornando-se o 13º país a escolher a aeronave para modernização de sua frota militar.

Questões geopolíticas beneficiam segmento de Defesa

Francisco Neto afirmou que, devido às questões geopolíticas globais, diversos países têm acelerado suas campanhas de compra de equipamentos de defesa. Ele ressaltou que essa situação beneficia a Embraer por possuir um “produto excelente” no segmento de transporte militar, o que permite à empresa capturar essa demanda urgente.

Na aviação comercial, o CEO da Embraer afirmou que que o ambiente geral também é favorável para os jatos da empresa desse segmento. Isso ocorre porque há resiliência do setor de transporte aéreo que, mesmo com aumento nos custos das passagens, continua tendo forte demanda por viajantes, o que sustenta uma demanda cada vez mais alta por novas aeronaves. E as grandes concorrentes (como Airbus e Boeing) possuem filas de espera de até uma década para aeronaves maiores.

— Esse gargalo nos competidores abre espaço para os jatos de corpo estreito (narrow-body) da Embraer, cujos benefícios estão sendo melhor compreendidos pelos clientes. A combinação de um portfólio moderno e a incapacidade de produção imediata dos concorrentes permite à empresa expandir sua presença global tanto na defesa quanto na aviação civil — explicou.

A Embraer confirmou que a expectativa é que o eVTOL (carro voador) da sua subsidiária Eve receba sua certificação e entre em operação comercial até o final de 2028. Atualmente, o projeto já conta com cerca de três mil cartas de intenção de compra e os primeiros voos comerciais devem ocorrer simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos.

Lucro acima de R$ 1 bilhão

A Embraer registrou no segundo trimestre de 2026 uma receita recorde de R$ 11,3 bilhões, alta de 10,3% frente ao mesmo período do ano passado, e o melhor volume de entregas de aeronaves dos últimos dezesseis anos. O lucro líquido ajustado atingiu R$ 1,1 bilhão, crescimento de 25% sobre o mesmo período do ano passado, quando a fabricante de aviões brasileira reportou lucro de R$ 890,3 milhões.

Esse desempenho financeiro foi impulsionado pelo crescimento significativo nos setores de Defesa e Aviação Executiva, além da aceleração na produção e nas entregas.

No segundo trimestre de 2026, a Embraer realizou a entrega de 65 aeronaves, melhor desempenho em 16 anos. O número representa uma alta de 7% em comparação às entregas do segundo trimestre do ano passado. A aviação executiva foi o destaque do trimestre, com 45 jatos entregues, enquanto na aviação comercial foram mais 20 aeronaves. No acumulado do primeiro semestre de 2026, a companhia já soma 109 aeronaves entregues, o que representa um crescimento de aproximadamente 20% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para o fechamento de 2026, a Embraer mantém o plano de entregar entre 240 e 255 aeronaves no total, sendo entre 80 e 85 no segmento comercial entre 160 e 170 jatos executivos.A perspectiva de receita para 2026 está estimada entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões.

Outros indicadores financeiros foram revisados para cima devido ao desempenho superior no segundo trimestre: a margem EBIT ajustada (indicador que mostra a porcentagem da receita líquida que se transforma em lucro operacional, antes de descontar os juros e os impostos) foi elevada para um intervalo entre 10% e 10,6% (anteriormente era de 8,7% a 9,3%). Já a projeção para o fluxo de caixa livre ajustado subiu para US$ 400 milhões ou mais, o dobro da estimativa inicial de US$ 200 milhões.


BS20260810135059.1 – https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/08/10/embraer-estuda-ampliar-capacidade-de-producao-global-com-linhas-de-montagem-nos-eua-e-india-diz-ceo-da-empresa.ghtml

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