Entidade pede investigação da Meta por anúncios fraudulentos sobre o Desenrola Brasil
7 de agosto, 2026
| Por: Agência O Globo
Levantamento do NetLab identificou 544 anpuncios falsos que exploravam políticas públicas voltadas à população endividada
Desenrola — Foto: Magnific
A ONG Ctrl+Z encaminhou à Advocacia-Geral da União (AGU) e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) um pedido de abertura de investigação contra a Meta pela veiculação de anúncios fraudulentos relacionados ao programa de renegociação de dívidas Desenrola Brasil em suas plataformas.
O pedido cita o levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que identificou 544 anúncios fraudulentos explorando políticas públicas voltadas à população endividada para aplicar golpes. As peças foram encontradas no Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads e Messenger, além da Audience Network, serviço por meio do qual a Meta distribui anúncios em aplicativos de terceiros.
Segundo o estudo, foram identificados dois tipos de campanhas fraudulentas: uma que utiliza o Desenrola Brasil para se beneficiar da credibilidade do programa e outra que divulga um falso programa governamental, chamado “Libera Brasil”, apresentado como uma alternativa mais vantajosa.
No documento, a entidade argumenta que a Meta estaria lucrando com esse tipo de publicidade e cita documentos internos da empresa, obtidos e divulgados pela agência Reuters, em novembro de 2025, segundo os quais a companhia estimou que 10,1% de sua receita global em 2024 — cerca de US$ 16 bilhões — viria de anúncios promovendo golpes e itens proibidos. Os mesmos documentos também indicam que a Meta exibe diariamente até 15 bilhões de anúncios com fortes indícios de fraude.
— A questão é que remover esses anúncios significa reduzir receita. No documento, mostramos que documentos internos, divulgados pela Reuters no ano passado, apontam justamente isso — afirma o diretor da Ctrl+Z, Luã Cruz.
A entidade também lembra que a própria AGU ajuizou uma ação civil pública contra a Facebook Brasil Ltda., responsável pela comercialização de publicidade nas plataformas da Meta no país, por enriquecimento ilícito e danos morais coletivos decorrentes de falhas na verificação de anúncios fraudulentos que utilizavam imagens e símbolos do governo federal. Na ocasião, foram identificados cerca de 1.770 anúncios com esse tipo de conteúdo. Além da abertura de investigação, a Ctrl+Z pede que a AGU anexe o novo estudo do NetLab a essa ação civil pública já em andamento.
A AGU informou já ter tomado conhecimento do estudo e que assim que tiver acesso à íntegra do material, “avaliará seu conteúdo e adotará as medidas cabíveis no âmbito de suas competências”.
“A AGU ressalta que já vem atuando de forma preventiva e repressiva no combate a fraudes digitais envolvendo políticas públicas, inclusive perante diversas plataformas”, disse, em nota.
Procurada, a Meta disse que não permite atividades fraudulentas e que remove anúncios enganosos assim que identificados, ressaltando que é o que “temos feito em relação ao programa Desenrola Brasil”.
“Recomendamos que as pessoas nunca compartilhem informações de login e denunciem, pelas próprias plataformas, quaisquer atividades suspeitas. A Meta reforça ainda que coopera e responde a requisições das autoridades nos termos da legislação aplicável”, diz trecho da nota enviada pela Meta.
A Senacon ainda não havia enviado um comentário até a publicação desta matéria.