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Presidente do BC ainda disse que governantes criam ‘problemas’ para seus governos ao ‘minar’ autonomia
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou, em entrevista ao canal de TV CNBC, que a autoridade monetária está comprometida em atingir a meta de inflação. Mesmo com a retomada do ciclo de alta de juros em setembro, o mercado financeiro continua elevando as expectativas de inflação. A taxa Selic está em 10,75% ao ano.
No Boletim Focus desta semana, a mediana para o IPCA deste ano subiu de 4,39% para 4,50% e do ano que vem teve alta de 3,96% para 3,99%. Atualmente, o BC trabalha para colocar a inflação na meta no primeiro trimestre de 2026. A meta é de 3,0%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Campos Neto explicou na entrevista que o Brasil está em um ciclo diferentes dos EUA, já que foi o primeiro BC a elevar os juros após a pandemia de covid-19 e também o primeiro a reduzir as taxas, algo que teve início nos EUA no mês passado.
Além disso, afirmou que a atividade brasileira está muito resiliente, e o mercado de trabalho, aquecido, o que aponta para uma economia sobreaquecida (hiato do produto positivo), com expectativas de inflação desancoradas.
— Nós pensamos que era apropriado nesse momento começar a endereçar essa questão. É muito importante comunicar para as pessoas que estamos comprometidos em atingir a meta. O Brasil tem uma forte memória inflacionária — disse Campos Neto, em entrevista concedida em Washington (EUA), onde está para participar do Encontro Anual do FMI e do Banco Mundial.
O presidente do BC brasileiro também repetiu que o país precisará de um “choque positivo no lado fiscal” para que consiga atingir taxas de juros muito mais baixas do que as atuais.
— No caso do Brasil, é muito difícil imaginar uma situação à frente em que você será capaz de viver com taxas de juros muito mais baixas do que estão hoje a não ser que sejamos capazes de produzir um choque positivo no lado fiscal — disse, ponderando que a questão fiscal é global atualmente.
Questionado sobre as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os perigos dessa atitude para os governantes, Campos Neto disse que “minar a autonomia” é criar problema para o próprio governo. Para ele, a autonomia do BC é muito importante para os governantes, porque reduz riscos associados ao país e melhoram o funcionamento de todas as políticas
— Ao minar a autonomia do BC, o que vários líderes estão fazendo é criando problemas para seus próprios governos. eles poderiam estar indo melhor se não fizessem isso.

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