
PL vive impasse na busca por mulher para vice de Flávio Bolsonaro; saiba quem são as cotadas
Senador busca acenar ao eleitorado feminino, mas campanha não tem consenso sobre nome

Dirigentes do PL reclamam da lentidão para fechar chapas e avaliam que pré-campanha chega próximo das convenções sem decisões concretas

A poucos dias do início das convenções partidárias, a viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos ocorre em meio ao aumento da pressão dentro do próprio PL. Enquanto o senador participa nesta terça-feira de uma audiência pública sobre a proposta americana de sobretaxar produtos brasileiros e cumpre compromissos políticos em Washington, dirigentes estaduais, parlamentares e pré-candidatos reclamam da demora para definir candidaturas, arbitrar disputas locais e consolidar palanques considerados estratégicos para a campanha presidencial.
O incômodo não está relacionado à agenda internacional em si, vista por aliados como importante para reforçar a aproximação de Flávio com o governo Donald Trump e com lideranças do Partido Republicano. Nesta terça-feira, o senador participa da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), última etapa da investigação comercial aberta contra o Brasil antes da decisão prevista para 15 de julho sobre a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros.
A expectativa é que Flávio utilize os cinco minutos de apresentação para defender a suspensão da medida, retirar o Pix do centro da disputa comercial e abrir espaço para uma negociação entre os dois países.
A avaliação de dirigentes do partido, porém, é que a viagem ocorre justamente quando decisões consideradas urgentes continuam pendentes no Brasil. Para esse grupo, a campanha chega à reta decisiva ainda sem transformar meses de negociação em definições concretas, dificultando a organização das estruturas estaduais justamente quando o calendário eleitoral exige que as articulações deem lugar à campanha propriamente dita.
Dirigentes passaram a descrever a condução da pré-campanha como “confusa”, “lenta” e, em alguns casos, “desorganizada”. A percepção é que a coordenação nacional perdeu capacidade de responder rapidamente às demandas dos estados e passou a adiar decisões consideradas essenciais para que candidatos ao Senado, à Câmara e aos governos estaduais possam estruturar suas campanhas.
O caso que melhor simboliza esse ambiente é o do Rio de Janeiro. Integrantes do partido aguardavam que Flávio anunciasse na última sexta-feira o nome que disputará uma das vagas ao Senado pela legenda, encerrando meses de especulações envolvendo Sóstenes Cavalcante, Carlos Portinho e Carlos Jordy. O anúncio, porém, foi novamente adiado, ampliando a irritação entre os interessados.
Um dos envolvidos nas negociações afirmou ao GLOBO já ter perdido as esperanças de quando sairá o anúncio. A avaliação deste interlocutor é de que Flávio está enrolado e não sabe o que faz. Outro integrante da cúpula do PL fluminense afirmou não entender a atual estratégia do presidenciável.
A insatisfação, porém, já deixou de estar restrita ao Rio. A poucos dias das convenções, a campanha presidencial ainda convive com impasses em pelo menos dez palanques estaduais considerados prioritários pela direção nacional do partido.
No Distrito Federal, a chapa ao Senado continua indefinida porque Michelle Bolsonaro ainda não oficializou se disputará ou não a eleição. Embora Valdemar Costa Neto já tenha começado a trabalhar com um plano alternativo e citado publicamente o senador Izalci Lucas e a deputada Bia Kicis como possíveis candidatos, a indefinição da ex-primeira-dama impede o fechamento da composição e mantém em compasso de espera lideranças que disputam espaço na majoritária.
Em Pernambuco, onde Flávio desembarca na quinta-feira, o partido ainda não decidiu sequer se lançará candidato ao Senado. A direção estadual avalia diferentes cenários de composição e tenta conciliar interesses locais com a estratégia nacional, mas a ausência de definição preocupa dirigentes que consideram difícil fortalecer o palanque presidencial sem uma chapa majoritária completa.
No Ceará, que receberá o senador na sexta-feira, o desafio é reconstruir a articulação política depois da crise envolvendo Michelle Bolsonaro. Foi no estado que teve início o rompimento entre madrasta e enteado, provocado pelo impasse em torno da candidatura da vereadora Priscila Costa (PL) ao Senado. Embora integrantes da campanha afirmem que o ambiente melhorou nas últimas semanas, reconhecem que o episódio deixou marcas e atrasou a consolidação do palanque local.
Outro foco de tensão permanece em Mato Grosso. O PL resiste à pressão do Republicanos para retirar o apoio já anunciado ao senador Wellington Fagundes (PL) e aderir ao projeto do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). O impasse passou a contaminar as negociações nacionais entre os dois partidos e é acompanhado de perto pela campanha presidencial, que considera o estado estratégico tanto pelo peso do agronegócio quanto pela aliança nacional com o Republicanos.
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, o partido ainda não definiu quem encabeçará sua chapa ao governo. A disputa se concentra entre dois caminhos: lançar o senador Cleitinho (Republicanos-MG), nome defendido por parte do bolsonarismo e cuja candidatura depende de um entendimento político com o Republicanos, ou apostar no presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, que ganhou força nas últimas semanas entre integrantes da campanha como alternativa para ampliar o diálogo com o empresariado e o setor produtivo. Enquanto a decisão não é tomada, a montagem do palanque mineiro segue paralisada.
Interlocutores da campanha reconhecem que parte da demora decorre da complexidade das negociações e da necessidade de acomodar interesses de diferentes partidos aliados. Também admitem que Jair Bolsonaro continua sendo consultado antes das decisões finais e que diversas definições foram colocadas em compasso de espera diante da expectativa pela divulgação da lista preparada pelo ex-presidente com os nomes que pretende apoiar ao Senado e aos governos estaduais. O documento, aguardado por dirigentes desde junho, acabou retardando anúncios considerados essenciais para a organização das campanhas.
Dirigentes afirmam que a espera pela palavra final de Bolsonaro alimentou a insatisfação de pré-candidatos e ampliou a percepção de que a campanha permanece excessivamente centralizada. Para esse grupo, temas nacionais monopolizaram a agenda nos últimos meses. A crise com Michelle Bolsonaro, o caso Banco Master, a preparação da viagem aos Estados Unidos e a estratégia para a audiência do USTR ocuparam espaço que, segundo aliados, deveria ter sido dedicado à consolidação das alianças estaduais.
A pressão aumentou porque o calendário deixou de permitir novos adiamentos. As convenções começam na próxima semana e marcam o momento em que os partidos precisam formalizar candidaturas, registrar coligações, anunciar chapas e colocar definitivamente as campanhas nas ruas.
Dentro do PL, a expectativa é que o retorno de Flávio marque uma mudança de fase. Depois da audiência em Washington, o senador desembarca no Brasil na quarta-feira e seguirá diretamente para agendas em Pernambuco e no Ceará, numa tentativa de fortalecer sua presença no Nordeste e destravar negociações locais.
Entre dirigentes estaduais, porém, a avaliação é que a campanha já não precisa apenas de novas agendas ou gestos políticos. Precisa de decisões. Para um integrante da coordenação, o principal desafio deixou de ser apresentar Flávio Bolsonaro ao eleitorado e passou a ser convencer a própria base de apoio de que a candidatura finalmente saiu da fase das negociações e entrou, de fato, em ritmo eleitoral.
BS20260707060034.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/07/estrategia-confusa-e-desorganizacao-enquanto-flavio-viaja-aos-eua-aliados-criticam-demora-para-definir-palanques.ghtml

Senador busca acenar ao eleitorado feminino, mas campanha não tem consenso sobre nome

Lista inclui projetos de lei (89), projetos de decreto legislativo (72), projetos de lei complementar (6), resolução (4) e proposta de emenda à Lei Orgânica (1)

Para ter acesso à meia-entrada, trabalhadores deverão apresentar carteira de identificação com fotografia, cargo, data de admissão e dados pessoais do beneficiário

Aliados afirmam que senador concentrará apresentação na tentativa de responsabilizar o governo brasileiro pela crise comercial
