ECONOMIA

Falta de recursos pode paralisar obras para estender a vida útil de Angra 1, avalia TCU

27 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Eletronuclear toca projeto de R$ 3,5 bilhões para manter usina operando até 2044

Usina nuclear de Angra 1 — Foto: Divulgação/ Eletronuclear

O Tribunal de Contas da União (TCU) avalia que a “insuficiência de recursos financeiros” para a execução dos contratos do programa de extensão de vida útil da usina nuclear de Angra 1, instalada em Angra dos Reis (RJ), “contribui para aumentar o custo global do empreendimento, podendo conduzir à paralisação ou redução do ritmo das obras”.

O órgão aprovou nesta quarta-feira um relatório sobre o tema e deu ciência dessas conclusões ao à Eletronuclear, à Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional, ao Ministério de Minas e Energia e ao Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro (CDPNB).

Desde 2019, a Eletronuclear toca um programa para estender a operação da usina até 2044. A usina, primeira planta termonuclear brasileira, está em operação desde 1985 e foi licenciada para operar por quarenta anos, até dezembro de 2024 — ano que recebeu autorização para seguir operando por mais 20 anos, condicionada à implantação integral do programa.

O cronograma apresentado pela Eletronuclear para implantação do programa se estende até 2028 a um custo estimado de R$ 3,5 bilhões, tendo gasto até este ano R$ 1,3 bilhão.

Relator do caso, o ministro Jorge Oliveira afirmou que, embora a dotação orçamentária prevista no Plano Plurianual de 2024 a 2027 e na Lei Orçamentária Anual seja compatível com as necessidades do projeto, a situação financeira “revela-se preocupante”.

Um acordo fechado no STF entre o governo e a Axia (antiga Eletrobras) prevê a emissão de debêntures conversíveis em ações no valor de R$ 2,4 bilhões, destinadas a prover a maior parte do financiamento de longo prazo necessário às obras de Angra 1.

— A emissão efetiva ainda não se concretizou, o que tem obrigado a estatal a recorrer a sucessivos empréstimos-ponte, mais onerosos, com custo financeiro estimado em R$ 185 milhões até o momento da fiscalização — disse.

Para o ministro, esse quadro de indefinição prolongada, contraria o princípio da eficiência, ao onerar indevidamente o custo global do empreendimento.

— Mais grave ainda é o risco, apontado pela unidade técnica, de que a insuficiência de recursos financeiros, inclusive quanto aos aproximadamente R$ 500 milhões em recursos próprios ainda não equacionados, possa conduzir à paralisação das obras e ao descumprimento das condicionantes fixadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), com risco, no limite, de revogação da licença de operação estendida da usina — completou.

BS20260827003557.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/26/falta-de-recursos-pode-paralisar-obras-para-estender-a-vida-util-de-angra-1-avalia-tcu.ghtml

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