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Entorno do senador recomenda cautela em agendas nacionais para evitar desgastes e conflitos em estados onde alianças e candidaturas ainda estão em negociação

Após passar algumas semanas com agenda reduzida em meio à crise provocada pelo caso Dark Horse, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a intensificar compromissos políticos fora de Brasília. A retomada, porém, tem ocorrido de forma gradual e calculada, já que integrantes da pré-campanha defendem que o senador evite acelerar uma ofensiva nacional antes da definição dos principais palanques estaduais que deverão sustentar sua candidatura presidencial em outubro.
A avaliação dentro do grupo político é que o momento ainda exige cautela para evitar desgastes desnecessários e eventual envolvimento em conflitos locais. Segundo interlocutores, a orientação é concentrar agendas em estados onde o cenário político já está mais organizado ou em compromissos considerados estratégicos para a construção da candidatura.
A estratégia ganhou força após a crise envolvendo o filme Dark Horse, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e as revelações sobre a relação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Depois da repercussão negativa do episódio, o senador reduziu a exposição pública por algumas semanas enquanto a campanha reorganizava sua estratégia política e de comunicação.
A retomada começou com a viagem aos Estados Unidos na semana passada. Durante a passagem pelo país, Flávio participou de encontros políticos e se reuniu com o presidente norte-americano Donald Trump, movimento que foi tratado pela campanha como uma forma de recolocá-lo no debate nacional após semanas marcadas pela gestão da crise. O encontro acabou rendendo louros ao senador no campo conservador depois do anúncio de que os EUA passariam, a partir dessa semana, a considerar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como terroristas.
Nesta semana, o senador iniciou uma agenda de três dias em Minas Gerais, estado considerado estratégico por reunir o segundo maior colégio eleitoral do país e tradicionalmente exercer papel decisivo em disputas presidenciais. A programação inclui compromissos ligados ao agronegócio, encontros com lideranças políticas do PL e empresariais e o lançamento oficial de sua pré-candidatura presidencial no estado.
Antes disso, na semana passada, Flávio também esteve em Curitiba para participar do lançamento da pré-candidatura do senador Sergio Moro ao governo estadual e da pré-candidatura de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado em uma chapa que tem sido conhecida como ligada à Lava Jato pela atuação pretérita de ambos os políticos na operação. O estado, contudo, já está com negociações locais consolidadas e não representa, segundo aliados, risco de disputas internas capazes de gerar desgastes para a campanha presidencial. A outra vaga do Senado a ser apoiada pelo PL será disputada pelo deputado Filipe Barros (PL).
A preocupação atual no entorno do senador é evitar que a presença de Flávio seja interpretada como apoio antecipado a grupos específicos em estados onde o PL ainda tenta arbitrar disputas locais ou concluir negociações de alianças. Um interlocutor ouvido pelo GLOBO resumiu a situação dizendo que este não é o momento de Flávio “tirar foto com a pessoa errada”, em referência aos registros geralmente feitos por políticos locais para angariar apoio em torno de campanhas nos estados com a ajuda de um político conhecido nacionalmente.
Tal avaliação é consequência do fato de que, em diversos estados, dirigentes partidários ainda discutem candidaturas ao governo, ao Senado e acordos com siglas aliadas.
Um dos principais exemplos é Minas Gerais. Apesar da agenda intensa cumprida nesta semana, o palanque estadual que deverá apoiar Flávio neste ano segue indefinido. Hoje, o nome mais cotado é o do senador Cleitinho (Republicanos-MG), mas dirigentes também discutem a possibilidade de apoiar uma candidatura do empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).
No Rio de Janeiro, as discussões escalaram após a desistência do ex-governador Cláudio Castro de concorrer ao Senado. Dentro do PL fluminense, cresceu a avaliação de que os desgastes acumulados por Castro após operações da Polícia Federal (PF) e investigações envolvendo integrantes de sua gestão poderiam contaminar o projeto nacional de Flávio. Como resultado, integrantes da legenda passaram a defender alternativas para a disputa ao Senado, entre elas os deputados federais Carlos Jordy, Sóstenes Cavalcante e também o senador Carlos Portinho.
Em Mato Grosso do Sul, o partido tenta administrar a disputa entre diferentes alas do bolsonarismo. Diversos grupos manifestaram interesse em liderar o projeto local, ampliando as dificuldades para unificar a legenda. Entre os nomes em discussão que despontam para a chapa no estado estão o deputado federal Marcos Pollon e o ex-governador Reinaldo Azambuja.
Já o Ceará também expõe divisões dentro do próprio campo bolsonarista. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro defende o nome da vereadora Priscila Costa para o Senado, enquanto aliados de Flávio mantêm interlocução com o grupo liderado pelo deputado federal André Fernandes. O estado se tornou foco de tensão após críticas públicas de Michelle à aproximação entre setores do PL local e o ex-ministro Ciro Gomes, movimento que havia recebido aval prévio de Jair Bolsonaro.
Outros estados como Maranhão, Tocantins e Pernambuco também aguardam o PL bater o martelo com relação a quem o partido irá apoiar ao governo ou ao Senado.
Diante desse cenário, dirigentes do partido trabalham atualmente na elaboração de um panorama nacional das negociações regionais. O material deve ser apresentado ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas próximas semanas e reunirá avaliações sobre alianças, candidaturas majoritárias e riscos políticos envolvidos em cada composição.
BS20260602060038.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/02/flavio-retoma-viagens-mas-calcula-rota-para-evitar-constrangimentos-por-impasse-em-palanques.ghtml

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