Fraudes no INSS: dirigente de entidade que estava foragido se entrega à PF e é preso
13 de agosto, 2026
| Por: Agência O Globo
Presidente da Conafer estava foragido desde novembro do ano passado, após ser alvo da nona fase da Operação Sem Desconto
Presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes prestou depoimento à CPI e foi preso — Foto: Carlos Moura/Agência Senado
A Polícia Federal prendeu, na última quarta-feira, Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) e investigado da Operação Sem Desconto, que estava foragido desde novembro de 2025. Ele se apresentou na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal e será encaminhado ao sistema prisional.
Em novembro do ano passado, o investigado foi alvo de um mandado de prisão durante a nona fase da Operação Sem Desconto, mas não foi localizado.
A Operação Sem Desconto investiga um esquema de descontos associativos não autorizados em benefícios do INSS. A PF encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o relatório final sobre o núcleo da Conafer no esquema. No documento, que embasou o indiciamento de 48 pessoas, a corporação concluiu que o esquema de descontos irregulares em benefícios do INSS permitiu o desvio de mais de R$ 708 milhões de aposentados e pensionistas.
De acordo com a PF, os recursos eram direcionados para empresas de fachada e utilizados para enriquecimento ilícito e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
A investigação aponta que a estrutura era liderada pelo presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, e contava com operadores financeiros, empresários, dirigentes da entidade e agentes públicos. Segundo a PF, parte dos recursos também era destinada ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e políticos para assegurar o funcionamento do esquema.
Em setembro do ano passado, Lopes chegou a ser preso pela CPI do INSS após o comando da comissão avaliar que ele mentiu durante depoimento. Lopes ficou custodiado em uma sala no Senado e foi solto após pagar fiança.
Em nota assinada por Lopes na quarta-feira e divulgada nesta quinta-feira pela Conafer, ele afirma que “se apresentou espontaneamente às autoridades competentes, submetendo-se às determinações judiciais vigentes e colocando-se formalmente à disposição da Justiça”.
“A iniciativa representa uma decisão consciente de enfrentar, no âmbito institucional adequado, todas as questões relacionadas às imputações que lhe foram dirigidas, com absoluto respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa”, pontuou.
O dirigente ressaltou que a sua apresentação não representa reconhecimento de responsabilidade, mas “o início de uma nova etapa de sua defesa, agora concentrada na apresentação organizada de documentos, informações e elementos probatórios destinados ao esclarecimento integral dos fatos”.