ECONOMIA

Governo avalia mais R$ 750 milhões para evitar paralisação de programa de reforma de casas às vésperas das eleições

3 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Ministério das Cidades afirma que fundo usado para garantia de empréstimos não terá recursos para novos financiamentos

Presidente Lula discursa durante lançamento do Programa Reforma Casa Brasil, no Palácio do Planalto  – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Ministério das Cidades solicitou à equipe econômica um aporte de R$ 750 milhões em um fundo habitacional para manter a linha de financiamento para reformas de imóveis operando após agosto, às vésperas das eleições. O programa Reforma Casa Brasil é uma das apostas de agenda positiva do governo Lula neste ano eleitoral.

Integrantes do Executivo dizem que o tema está em análise e que a decisão vai depender também de uma avaliação dos riscos jurídicos de um eventual aporte.

Lançado em 2025, o programa oferece juros reduzidos para empréstimos que podem ser utilizados para custear gastos com materiais de construção, serviços relacionados, projetos e acompanhamento por arquitetos e engenheiros.

Em outubro do ano passado, ao divulgar a nova linha de financiamento, o governo afirmou que o orçamento total do programa seria de R$ 40 bilhões, com R$ 30 bilhões do Fundo Social, destinados a famílias com renda de até R$ 9.600. Outros R$ 10 bilhões viriam da Caixa.

Inicialmente, o Fundo Garantidor da Habitação Popular (FGHab) seria responsável por assegurar os financiamentos destinados às famílias com renda de até R$ 9.600. No entanto, em portaria publicada em maio deste ano, o Ministério das Cidades alterou as regras do programa para que o FGHab também seja usado para garantia de todos os empréstimos do Reforma Casa Brasil.

Em ofício enviado na sexta-feira ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, o Ministério das Cidades afirma agora que o fundo só tem capacidade de garantir até R$ 3,3 bilhões em financiamentos. Esse montante seria suficiente para manter o programa operando apenas até agosto.

“Estima-se que o FGHab deixará, ainda no mês de agosto, de poder garantir os novos financiamentos concedidos, tornando inviável a manutenção do programa em seus termos atuais, justamente quando a sociedade passou a buscar mais intensamente seus recursos para fins de viabilizar financeiramente reformas, ampliações e melhorias em suas residências”, justifica o Ministério das Cidades.

O ministério ressalva, porém, que não é possível estimar exatamente por quanto tempo o aporte de R$ 750 milhões poderá garantir o programa operando.

“O valor de R$ 750 milhões permitiria, de forma emergencial, a não interrupção do programa, enquanto alternativas possam ser estruturadas”, escreve.

Segundo a pasta, até julho deste ano, foram cerca de R$ 3 bilhões financiados e, no ritmo atual das contratações, o programa deve chegar a R$ 7 bilhões ao final, 17,5% da meta inicial.

O Ministério das Cidades afirma que o programa ainda conta com R$ 10,7 bilhões empenhados no orçamento de 2025 e pode receber recursos adicionais do Fundo Social para garantir a continuidade dos financiamentos.

“Nesse sentido, solicita-se o préstimo urgente desse ministério, para operacionalizar o aporte de recursos necessários e possíveis no FGHab, de forma imediata, com o intuito de impedir a descontinuidade do RCB (Reforma da Casa Brasileira)”, diz o documento.



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