
Governo prorroga imposto de 12% sobre exportação de petróleo até o final de 2026
Medida é usada para custear desonerações e subsídios para combustíveis

Medida vem às vésperas da COP31, que será realizada de 9 a 20 de novembro de 2026 na Turquia

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta sexta-feira, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a resolução que estabelece diretrizes para a elaboração do “mapa do caminho para uma transição energética justa e planejada”.
O objetivo, segundo prevê o governo, é montar um plano para a redução gradativa da dependência de combustíveis fósseis no país, e para a proposição de mecanismos de financiamento à implementação da política de transição energética.
O tema está pendente no governo desde a 30ª Conferência do Clima da ONU, a COP30, em Belém, no ano passado. O encontro terminou sem avanço na ideia de um mapa do caminho para o abandono dos combustíveis fósseis — um dos principais temas discutidos no evento.
Outro mapa do caminho aprovado é o plano para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal.
As propostas avançam após a descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. Também serão publicadas às vésperas da COP31, que será realizada de 9 a 20 de novembro de 2026 na Turquia e da qual Lula participa.
A resolução aprovada estabelece um conjunto abrangente de diretrizes para orientar a construção do Mapa do Caminho Nacional, assegurando que a redução gradual da dependência de combustíveis fósseis seja conduzida de forma justa, planejada e responsável.
As diretrizes consideram as diferentes dimensões da transição energética, desde seus impactos sobre a economia, o emprego e as receitas públicas até as oportunidades de desenvolvimento tecnológico, inovação e diversificação da matriz energética. Também estabelecem a participação social, a transparência e o planejamento de longo prazo como elementos fundamentais para que o país avance na descarbonização sem comprometer o abastecimento de energia, a atividade produtiva e o bem-estar da população.
Transição justa como vetor de desenvolvimento
Vulnerabilidades e resiliência do país
Metas climáticas nacionais e compromissos internacionais
Participação social
Transparência e monitoramento
Segurança energética e resiliência
Impactos e capacidades do setor energético
Harmonização dos mecanismos de financiamento
Impactos na receita pública
Competitividade da economia e preços da energia
Capacitação de mão de obra
Equidade e redução das desigualdades
Riscos, incertezas e custos de arrependimento
Tendências e potencialidades da transição energética
Diversificação e flexibilidade do setor energético
Adaptação de infraestruturas
Áreas estratégicas de pesquisa e inovação
Alinhamento de subsídios e incentivos do setor energético
O Mapa do Caminho deverá observar ainda os instrumentos nacionais de planejamento energético e climático, incluindo a Política Energética Nacional, a Política Nacional de Transição Energética, o Plano Nacional de Transição Energética, o Plano Clima, a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil e o Plano de Transformação Ecológica.
A construção do documento contará com consulta pública e poderá envolver representantes de outros órgãos governamentais, do setor produtivo, especialistas e organizações da sociedade civil.
No caso do desmatamento, o mapa do caminho brasileiro tem quatro frentes principais de atuação: conservação e uso sustentável das florestas; restauração florestal; continuidade das ações de combate ao desmatamento ilegal e aos incêndios; e redução da supressão legal de vegetação, acompanhada de instrumentos econômicos.
O instrumento reúne prioridades estratégicas para o país nos próximos anos, com destaque para o fortalecimento e a ampliação do financiamento, da assistência técnica, da capacidade institucional, da governança, do acesso a mercados e da inovação e da tecnologia, aplicáveis aos diferentes instrumentos vigentes.
A iniciativa responde, em nível nacional, ao chamado da Presidência brasileira da COP30 e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que os países apresentem estratégias para cumprir o compromisso coletivo firmado no primeiro Global Stocktake (Balanço Global do Acordo de Paris) de interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030.
O CNPE aprovou também o Plano Nacional de Transição Energética (Plante). O plano reúne e organiza as ações do governo federal para construir uma matriz energética mais sustentável e segura, alinhada aos desafios econômicos, sociais e ambientais do país.
O Plante está estruturado em dois volumes. O Volume I apresenta a visão estratégica de longo prazo, enquanto o Volume II detalha os ciclos de implementação, com duração de quatro anos. Esse desenho mantém estáveis as diretrizes estratégicas e permite atualizar e aprimorar as ações de forma periódica, acompanhando a evolução do cenário econômico e tecnológico.
BS20261106154135.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/11/06/governo-lula-aprovar-diretriz-para-reduzir-dependencia-de-combustiveis-fosseis.ghtml

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