POLÍTICA

Governo Lula insiste em negociação de tarifaço, mas só vê chances de avanço após eleições no Brasil e no Congresso dos EUA

23 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Governo avalia que fala de Rubio após sobretaxa evidenciou que a agenda americana para o Brasil neste momento é política e eleitoral

Lula anuncia novo pacote de ajuda para empresas afetadas pelo tarifaço – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Apesar de prever a retomada das negociações com os Estados Unidos após o dia 29 de julho, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva só espera algum avanço significativo a partir do fim deste ano. Até pelo menos novembro, a avaliação é que o Brasil estará vulnerável devido às eleições presidenciais, enquanto o governo de Donald Trump estará focado nas midterms, votação que renovará a Câmara e parte do Senado dos EUA e pode mudar o equilíbrio de forças na política americana.

Nesta quarta-feira, Lula disse que ele e os seus ministros tentaram de diversas formas negociar com os americanos para que o tarifaço não entrasse em vigor, mas que nunca houve “reciprocidade” na conversa. De qualquer forma, Lula reforçou que o Brasil “não vai sair da mesa de negociação”.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que as conversas podem ser retomadas após o dia 29, data que marca o prazo final para que as mercadorias brasileiras que estão em trânsito para os Estados Unidos entrem em solo americano sem a taxa adicional de 25%. Mas ponderou que há várias formas de negociar, desde mensagens por celular até reuniões bilaterais.

Pessoas próximas às negociações dizem que as conversas serão mantidas o tempo todo, mas que todo mundo tem consciência de que a janela de negociação será melhor daqui a cinco meses. Primeiramente, a declaração do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, de que Lula não negociou de “boa fé” e “priorizou o próprio ego em detrimento de um acordo” deixou claro que a agenda dos EUA para o Brasil neste momento é política e eleitoral.

Então, nenhum argumento econômico funcionaria, como não funcionou até o momento. Um integrante do governo comenta que as condições colocadas pela Casa Branca até agora são um sinal claro de que não há disposição para diálogo, como a exigência de abertura completa de mercados como o automotivo, químico e aeroespacial, sem nenhuma contrapartida. Inclusive, essa é a estratégia tem sido adotada com todos os países, visto o anúncio da tarifa de 50% para uma ampla gama de produtos do Canadá.

Além disso, o governo Trump está preocupado em manter a maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato marcadas para novembro. Caso não tenha sucesso, as condições de negociação para o Brasil e o resto do mundo tendem a melhorar, porque o republicano deve ter menos respaldo às suas políticas. Se sair vitorioso, por sua vez, a geopolítica comercial pode até ficar mais crítica.

Plano de socorro

Na tentativa de conter os efeitos das sobretaxas, o governo anunciou ontem um socorro de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para atender as empresas brasileiras afetadas pelas tarifas e pelas incertezas do cenário internacional.

A taxa adicional de 25% adotada pelo governo Donald Trump deve atingir 15% da pauta exportadora do Brasil para solo americano ou US$ 5,8 bilhões, considerando o volume de 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Além das empresas afetadas pelo tarifaço, a linha de socorro irá atender:

Empresas prejudicadas por conflitos internacionais, especialmente aquelas que exportam para países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã.

Setores considerados pelo governo como estratégicos para a balança comercial e para a segurança produtiva do país, entre eles fertilizantes, minerais críticos e estratégicos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, automotivos, equipamentos eletrônicos, máquinas e materiais elétricos.


BS20260723030031.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/23/governo-lula-insiste-em-negociacao-de-tarifaco-mas-so-ve-chances-de-avanco-apos-eleicoes-no-brasil-e-no-congresso-dos-eua.ghtml

Artigos Relacionados