
Após liquidação, recursos de clientes do Banco Master migraram para grandes bancos, diz BC
Segundo órgão, sistema continua sólido após liquidação do grupo

Ministro da Fazenda afirmou ainda que espera redução na inflação diante da queda do dólar e do aumento da safra

Nesta sexta-feira (dia 22), Fernando Haddad afirmou que está em diálogo constante com o Congresso Nacional para que o governo federal consiga aprovar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. O ministro da Fazenda, entretanto, disse que a parte mais complexa dessa negociação vai envolver a compensação para que o benefício possa ser concedido aos que ganham menos.
De acordo com o Ministério da Fazenda, o projeto de isenção do IR já está pronto, mas a forma de compensação ainda não foi revelada.
— O desafio não vai ser isentar, vai ser compensar com quem não paga. E aí vamos ter que chegar no andar de cima, e pedir assim, você que não está pagando nada contra o trabalhador que está pagando 27% de imposto, vamos equilibrar esse jogo, você vai pagar um pouco para ele pagar menos — disse Haddad em entrevista ao canal ICL Notícias.
Ele disse ainda que espera uma queda na inflação em breve diante da redução do dólar frente ao real e do aumento da safra de alimentos:
— Quando o dólar está muito forte no mundo inteiro, ele causa inflação no mundo inteiro, porque parte do que a gente produz é exportado, então os preços internacionais acabam balizando isso. Mas com a queda do dólar que aconteceu nos últimos 60 dias, 30 dias, começou a cair o dólar para patamares mais aderentes aos fundamentos da economia brasileira e com safra que vai entrar a partir do final do mês, nós acreditamos que esses preços vão se estabilizar em um patamar mais adequado. Entendemos que vamos colher bons frutos no combate à inflação, inclusive no que diz respeito aos alimentos.
Na entrevista, o ministro também foi questionado sobre ajustes realizados pelo governo no ano passado em programas sociais, com o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), para adequar as contas públicas. Segundo Haddad, as medidas foram tomadas para que garantir a sustentabilidade do programa.
— A boa gestão é a garantia da sustentabilidade do programa. Isso não tem nada a ver com corte, isso tem a ver com racionalidade e com responsabilidade de garantir que isso vai ter vida longa, que não vai acabar em um governo, vai virar uma política de estado, ninguém vai depois relar a mão para tirar um direito social garantido por lei — afirmou.
Haddad ainda disse que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para reorganizar as informações de cadastros de programas como o BPC/Loas e Bolsa Família, que segundo ele, foram desordenados pelo governo passado para “cumprir objetivos eleitorais”.
— Ao longo de 2022, o desespero do governo anterior em se manter no poder a qualquer custo, inclusive planejndo assassinatos, golpe, tudo que está sendo exposto a opinião pública. Você acha que alguém que planeja um assassinato vai zelar pelo dinheiro público diante de uma perspectiva de uma derrota eleitoral? — completou.
Haddad também afirmou que o governo deve lançar uma política para oferecer a opção de crédito consignado privado para trabalhadores com carteira assinada.
— Nós podemos ter nos próximos dias uma coisa inédita no Brasil que é o consignado privado.
O novo consignado será criado por medida provisória (MP) a ser editada antes do carnaval. A expectativa é que o novo sistema comece a operar em meados de março. O novo modelo irá integrar base de dados do eSocial e permitir que os trabalhadores tomem empréstimo em qualquer banco.
— O que nós estamos fazendo, o consignado vai no ser e-social. Não importa onde a pessoa esteja empregada, você vai fazer o desconto do empréstimo dela a um juros muito menor, a menos da metade do que se paga hoje — disse Haddad.
Segundo o ministro, será necessário aprovar um Orçamento equilibrado para que o país consiga reduzir a inflação e a taxa básica de juros, a Selic.
— Nós fizemos o ajuste no ano passado, o Orçamento pode ser aprovado com equilíbrio nas contas que é o que garante a sustentabilidade da economia brasileira no médio e longo prazo, crescimento com inflação baixa, voltar a crescer, como estamos crescendo, mas com a inflação controlado — afirmou.
Para Haddad, a nova oferta de crédito consignado privado a ser lançada pelo governo tem capacidade de aumentar o consumo e investimento da população, mesmo com uma taxa básico de juros alta.
— Vamos oferecer para os trabalhadores uma coisa inédita, que pode alavancar o PIB, mas mais do que isso, estou falando de uma questão estrutural. Não estou falando da Selic que momentaneamente está alta para combater o surto que ninguém deseja de um descontrole inflacionário. Ok, faz parte do jogo usar a taxa de juro para combater a inflação.
Durante a entrevista desta sexta, Haddad reiterou diversas vezes que a equipe econômica faz um trabalho de reestruturação das contas públicas. Segundo o ministro, os governos anteriores promoveram uma condução do Orçamento que levou à deterioração das contas públicas do Brasil nos últimos dez anos.
— Veja só, tivemos dois ministros da Fazenda que eram declaradamente de direita, a favor do estado mínimo, verifique os déficits públicos que eles produziram, são déficits recordes na história do Brasil, e nem por isso eles sofriam pressão para fazer ajuste público (…) Nós tivemos dez anos de um problema estrutural que o governo Lula está tentando resolver, é nossa obsessão resolver isso — disse o ministro.
Haddad voltou ao Brasil na madrugada desta quinta, após fazer giro pelo Oriente Médio, e representar o Brasil na Conferência do Fundo Monetário Internacional (FMI) em sua primeira viagem internacional de 2025.
Na Conferência do FMI em Al-Ula, na Arábia Saudita, Haddad disse que a inflação no Brasil está em torno de 4% a 5%. Segundo ele, este patamar é “relativamente” dentro da normalidade para o que a economia brasileira registrou após a implementação do Plano Real.
— O Brasil tem feito um trabalho, tentando encontrar um caminho de equilíbrio e sustentabilidade mesmo em fase de um ajuste importante. O Brasil deixou uma inflação de dois dígitos há três anos. Hoje temos uma inflação em torno de 4% a 5%, que é uma inflação relativamente normal para o Brasil desde o Plano Real há 26 anos — disse em discurso nesta segunda-feira.
Na maior crise de popularidade dos seus três mandatos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentará a aposta em medidas econômicas que, na avaliação do governo, podem ajudar a reverter o cenário e melhorar o ambiente para 2026, ano eleitoral.
O entorno do titular do Palácio do Planalto avalia que o lançamento do Gás para Todos, a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e a mudança no crédito consignado privado rendam frutos políticos nos próximos meses. Além disso, o Executivo já anunciou a gratuidade completa de medicamentos no programa Farmácia Popular e conseguiu destravar o pagamento do Pé-de-Meia, que dá bolsas a estudantes do ensino médio.
Só o impacto fiscal da desoneração do IR é estimado pela equipe econômica em R$ 35 bilhões. Nesse caso, porém, o governo pretende apresentar uma forma de compensação, que deve ser baseada no aumento da tributação dos mais ricos, o que enfrenta resistência no Congresso. Se aprovada este ano, contudo, a ampliação da faixa de isenção só começa a valer em 2026.

Segundo órgão, sistema continua sólido após liquidação do grupo

Programa de Empreendedorismo Científico vai oferecer mentorias, estrutura colaborativa, conexão com investidores e apoio ao desenvolvimento de projetos de diferentes áreas do conhecimento

Quer saber se você é um dos 12,6 mil contemplados? Entre na área restrita do portal do programa com seus dados e confira

Estudo do Instituto Fecomércio indica crescimento no fluxo de clientes durante a Copa do Mundo
