
Déficit primário de 2026 deve somar R$ 52 bi com conta de precatórios, diz governo
Execução do Orçamento foi enviado ao Congresso Nacional

Presidente do BC diz que aumento dos investimentos em IA

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a ideia de que juros altos sempre beneficiam o mercado financeiro “não se comprova nem do ponto de vista empírico, nem do lógico”. Ele também classificou como “desinformação” as críticas de que o mercado envia projeções infladas ao Boletim Focus para pressionar a manutenção dos juros em patamar elevado em benefício próprio.
— A ideia de que taxas de juros são benéficas para todos os participantes ou para os participantes do mercado financeiro não se comprova nem do ponto de vista empírico, nem do ponto de vista lógico.
Durante painel na Expert XP, evento realizado em São Paulo, Galípolo disse que o BC tem ampliado as fontes de informação usadas nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e que, mesmo fora do mercado financeiro, as projeções não são necessariamente mais baixas, mencionando como exemplo o relatório Firmus, que reúne expectativas econômicas das empresas para os próximos anos.
— Essa crítica vem muitas vezes um lugar de entender que muitas vezes podem membros do mercado, que respondem ao Focus, ter alguma intenção de induzir ou influenciar a política do mercado. Curiosamente, o que se costuma dizer é que se forem ouvidos os membros de fora do mercado financeiro, provavelmente as projeções viriam com dados mais baixos. Isso não é verdade — afirma.
Em linha com o que a ex-secretária do Tesouro americano Janet Yellen disse ontem no mesmo evento, Galípolo disse que a inteligência artificial tende a gerar um choque inflacionário no curto prazo, devido ao aumento dos investimentos globais em tecnologia e infraestrutura. Esse movimento eleva a demanda e pode pressionar preços inicialmente.
Além disso, questionado sobre a ampliação no acesso ao crédito no país, Galípolo disse que, neste momento, o maior nível de endividamento das famílias está concentrado em linhas sem garantia. Após a pandemia, segundo o presidente do BC, houve um aumento global no uso do cartão de crédito, tendência que foi ainda maior no Brasil em resposta ao avanço da inclusão financeira.
No caso brasileiro, segundo ele, muitos consumidores migraram de linhas de crédito mais baratas para outras mais caras, como o rotativo do cartão. Esse, no entanto, é um tipo de dívida pouco sensível à política monetária. Ou seja, mesmo com mudanças na taxa básica de juros, o impacto para o consumidor é limitado, já que as taxas cobradas são muito altas:
— Essa é uma dívida pouco sensível à política monetária, por isso que ela é até mais fácil de você fazer essa separação. Quando você olha para os níveis de taxa de juros são pagos, ela está pagando 15% ao mês, não ao ano.
BS20260724172653.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/24/ideia-de-que-juros-altos-sempre-beneficiam-o-mercado-financeiro-nao-se-comprova-diz-galipolo.ghtml

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