POLÍTICA

‘Jaques do Master’: senador petista é recebido na Bahia com vaias e cartazes em referência a escândalo

3 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Ex-líder do governo no Senado é investigado por atuação em favor dos interesses do banco no Congresso; estiveram no evento Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e aliados do PT

Cartazes ‘Jaques do Master’ são exibidos durante visita do senador à Bahia — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Investigado no caso Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado e pré-candidato à reeleição, foi recebido ontem sob vaias e placas com referência ao escândalo em Salvador, ao participar do Cortejo do Dois de Julho, evento que celebra a independência da Bahia. O episódio foi registrado em vídeos que circularam nas redes sociais.

As placas traziam a frase “Jaques do Master”, em referência à investigação da Polícia Federal (PF) que apura a atuação do parlamentar a favor dos interesses do banco de Daniel Vorcaro.

Estiveram ao lado de Jaques Wagner no cortejo o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), o ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado Rui Costa (PT-BA) e outros aliados do PT. O evento é tradicionalmente palco importante para a disputa política na Bahia e já contou com as presenças dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não compareceu este ano às comemorações pela primeira vez desde 2022.

A data é marcada por uma caminhada pelas ruas de Salvador. O 2 de julho é celebrado como o Dia da Independência da Bahia porque foi nessa data, em 1823, que as tropas portuguesas deixaram definitivamente Salvador, consolidando a independência do Brasil na prática. Embora a independência do país tenha sido proclamada por Dom Pedro I em 7 de setembro de 1822, o controle português sobre parte do território brasileiro continuou por vários meses. A Bahia era o principal foco de resistência da Coroa portuguesa.

Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado após ser alvo de busca e apreensão no mês passado, no âmbito da Operação Compliance Zero. A decisão foi uma tentativa de estancar o impacto na campanha à reeleição de Lula da investigação sobre a suposta atuação do parlamentar a favor do Master em troca de “vantagens indevidas”.

Desde a operação da Polícia Federal, no dia 18, aliados de Lula no Congresso e no Palácio do Planalto passaram a defender que o senador deixasse a liderança no Senado. Governistas apontaram o “constrangimento” com o cumprimento de mandados de busca e apreensão, o que incluiu a divulgação de uma foto de US$ 49 mil em espécie encontrados em um endereço ligado a Wagner em Brasília. Ao todo, levando-se em conta também o montante em dólares e euros encontrados em um endereço do senador em Salvador, os agentes da PF recolheram o equivalente a R$ 482 mil, de acordo com a cotação atual.

A operação ocorreu por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A PF suspeita da atuação de Wagner a favor de projetos de interesse de Vorcaro em troca de benefícios como um apartamento de luxo de R$ 2,4 milhões em Salvador e repasses a uma empresa de sua nora. O inquérito também identificou o pagamento de ingressos para um show no exterior.

Uma dia antes de o aliado ser vaiado, Lula exaltou a trajetória política de Jaques Wagner durante uma agenda na Bahia. O presidente o chamou pelo apelido de “galego” e o colocou no grupo de “companheiros de longa data” no estado, que incluiu Rui Costa, Jerônimo Rodrigues e o senador Otto Alencar (PSD).

*Estagiário sob supervisão de Daniela Dariano

BS20260702220447.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/02/jaques-do-master-senador-petista-e-recebido-na-bahia-com-vaias-e-cartazes-em-referencia-a-escandalo.ghtml

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