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Em entrevista ao site ‘O Joio e O Trigo’, João Pedro Stédile deu nota três para a política implementada no terceiro mandato do presidente
Um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, João Pedro Stédile, criticou o governo do presidente Lula (PT) e a demora por reforma agrária. Em entrevista ao site “O Joio e O Trigo”, Stédile afirmou que a gestão não tem feito nada para agilizar o processo.
— O governo não está fazendo nada na reforma agrária. É uma vergonha. Nós já estamos há um ano e meio, não avançamos. Desapropriação não avançou. O crédito para os assentados não avançou, nem o Pronera. O Pronera é o negócio mais civilizatório que qualquer governo de direita pode fazer porque é viabilizar o acesso dos jovens camponeses à universidade. Então é uma vergonha.
Stédile completou o raciocínio dando nota três para a política implementada no terceiro mandato do presidente.
— Não pode dizer que falta dinheiro. Então, se antes eu dei (nota) cinco porque era amigo do Paulo Teixeira, agora para o programa de reforma agrária, eu dou (nota) três.
O líder do MST citou como problemática a frente ampla montada pelo presidente para se eleger contra Jair Bolsonaro (PL) nas últimas eleições, que não estaria colocando os pleitos do movimento como prioridade.
— Eu estou cansado, já perdi a paciência de ouvir ministro dizer que não há incompatibilidade entre a agricultura familiar e o agronegócio — afirmou.
Na semana passada, o MST voltou a invadir , a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas, em protesto pela nomeação de Junior Rodrigues do Nascimento como novo superintendente. Cerca de 300 manifestantes ainda estão no local hoje. Esta foi a segunda vez que o movimento protestou contra a indicação de Nascimento. A primeira ocorreu no final de abril.
Apesar de ter substituído o primo do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), no cargo, Nascimento faz parte do mesmo grupo político. O MST pleiteia a nomeação do servidor José Ubiratan.
Aliado histórico do PT, o MST aumentou a pressão sobre o governo e encerrou o “Abril Vermelho” contabilizando 35 invasões de terra — número 150% maior que o do mesmo período do ano passado, quando o movimento protagonizou 14 ocupações. Os dados são de um levantamento do GLOBO, feito com base em informações disponibilizadas pelo próprio MST.

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