Lula diz que Trump fez ‘coisa desaforada’ e que não pediu reunião bilateral porque Brasil e EUA ainda estão em negociação
17 de junho, 2026
| Por: Agência O Globo
Presidente disse que americano ‘continua agindo como imperador’ e afirmou que negociações seguem em curso
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma “coisa desaforada” quando o governo do país sugeriu um novo tarifaço ao Brasil enquanto as negociações comerciais ainda estavam em andamento. Os dois presidentes participaram da reunião do G7 encerrada nesta quarta-feira, em Évian-les-Bains, na França.
— Não pedi bilateral com o Trump porque estamos em negociação, eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil. Por isso que eu disse que ele continua agindo como imperador. Nós estávamos fazendo acordo — disse Lula em entrevista, ao ser questionada se havia conversado com Trump durante a cúpula.
Mais cedo, Lula já havia criticado o governo dos Estados Unidos durante uma conversa informal com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, captada por um microfone aberto nesta quarta-feira, durante a cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. Em um trecho audível do diálogo, Lula afirmou que o Brasil não mantém divergências com outros países e disse não gostar de conflitos. Na sequência, criticou a postura adotada por Washington.
— Eu não gosto de briga (…) Eu não gosto do comportamento do governo americano — afirmou o presidente.
Parte do diálogo foi registrada com baixa qualidade de áudio, o que dificulta a compreensão integral do que foi dito.
Em outro momento da gravação, é possível ouvir Lula mencionar a palavra “imperador”. O presidente já utilizou o termo anteriormente em críticas a Donald Trump, mas a qualidade da gravação não permite identificar o contexto exato da fala nem a quem ela se referia.
No ano passado, durante a cúpula do Brics, o petista afirmou que “o mundo não quer imperador” ao comentar ameaças de elevação de tarifas comerciais por parte do republicano. Em abril deste ano, também criticou o que chamou de tentativas americanas de impor decisões a outros países.
A fala ocorre em meio a um momento de atrito entre Brasília e Washington. No início deste mês, o governo americano divulgou as conclusões de uma investigação comercial contra o Brasil e recomendou a adoção de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma sobretaxa de 12,5% relacionada a alegações de combate insuficiente ao trabalho forçado.
Trump também participa da cúpula do G7, mas não há previsão de encontro bilateral entre os dois presidentes durante a programação do evento. Na noite de terça-feira, Lula e o americano participaram de uma recepção oferecida aos líderes convidados e chegaram a se cumprimentar brevemente.
Nos últimos dias, Lula tem elevado o tom das críticas ao protecionismo e ao unilateralismo nas relações internacionais. Durante discurso na sessão ampliada do G7, na terça-feira, o presidente criticou o avanço do protecionismo e do unilateralismo nas relações internacionais e defendeu o fortalecimento da cooperação entre os países para enfrentar desafios globais.
A participação de Lula na cúpula ocorre como convidado do G7, grupo formado por Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Japão. O presidente brasileiro participou de reuniões sobre desenvolvimento econômico, segurança internacional e inteligência artificial, além de encontros bilaterais com outros líderes presentes no evento.