POLÍTICA

Lula e Alcolumbre se reúnem para discutir prioridades do Planalto no Congresso e eleição, mas calendário da PEC 6×1 segue indefinido

12 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

José Guimarães afirma que está ‘tudo destravado’ e que Alcolumbre está sintonizado com a reeleição do presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, participa da abertura 26ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na manhã desta quarta-feira com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no Palácio da Alvorada, em Brasília, na tentativa de articular o avanço da agenda de interesse do governo no Congresso. Na saída do encontro, que ocorreu no Palácio da Alvorada, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirmou que a pauta vai andar e que Alcolumbre está sintonizado com a reeleição de Lula.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 foi um dos temas do encontro, mas o calendário de votação segue indefinido. O texto já foi aprovado na Câmara e aguarda análise do Senado.

— Fizemos uma reunião muito importante, com o presidente do Congresso (Alcolumbre) e Lula. O diálogo foi retomado. Nós tratamos de tudo, colocamos todos os temas de interesse do Brasil. Alcolumbre vai ouvir os senadores. As relações foram retomadas. A institucionalidade está reconstruída — afirmou Guimarães. — Está tudo destravado e agora é pé na estrada. Davi (Alcolumbre) já tem compromisso com nossa chapa no Amapá e está sintonizado com a reeleição de Lula. Vocês (jornalistas) não têm noção de como foi para fazer isso acontecer.

De acordo com o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, Lula pediu a Alcolumbre para destravar, além da PEC 6×1, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, também já aprovada pela Câmara. O presidente do Senado teria indicado que o texto sobre segurança pode ser votado antes da eleição.

O encontro vinha sendo tratado por aliados como uma espécie de “reunião de trabalho” para acertar as votações no Senado. O Planalto tem pressa para aprovar projetos que considera importantes para Lula usar na campanha eleitoral. Desde a derrota de Messias, essa agenda não avançou na Casa. Alcolumbre tinha sinalizado a interlocutores do presidente da República ser necessário um encontro com o petista para que esses temas andassem no Congresso.

Além da PEC 6×1, o governo quer ver avançar a PEC da Segurança Pública e o projeto de terras raras, os dois aprovados na Câmara e parados no Senado. Guimarães disse, no entanto, que a PEC da Segurança não foi discutida no encontro desta quarta.

Nesta semana, em reunião da articulação política do governo, também ficou definido como prioridades para o Congresso antes das eleições a votação de medidas provisórias (MPs), principalmente a que acaba com a “taxa das blusinhas”, a cobrança de 20% sobre compras internacionais, e o projeto de lei que criminaliza atos de misoginia. A Comissão Mista necessária para analisar a MP da taxa das blusinhas vai ser instalada nesta quarta-feira.

Guimarães disse ainda que Lula convidou Alcolumbre para acompanhar o lançamento oficial de sua candidatura, em ato em São Paulo no domingo, mas que o presidente do Senado já tinha compromisso marcado anteriormente.

Dúvida sobre calendário da PEC 6×1

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), acrescentou que Alcolumbre estava “muito aberto”, mas evitou dizer se a PEC do fim da escala 6×1 vai avançar ainda antes da eleição. A campanha petista vê o tema como trunfo eleitoral, e governistas intensificar a pressão para que o tema ande no Congresso nos últimos dias.

— Foi colocado (o tema da PEC 6×1), mas depende dos trâmites internos do Senado. A primeira coisa é ajustar e depois encaminhar (se fica para depois da eleição) — disse Teresa Leitão.

Ela disse ainda que ficou responsável, junto com Alcolumbre, de ajustar esse diálogo com os senadores acerca da PEC.

Guimarães destacou que a discussão não tem um prazo e que agora o governo irá aproveitar o atual estado das relações para colocar o “pé na estrada”.

— Agora é pé na estrada, diálogo, conversa para ver o timing de como é que as matérias vão tramitar, porque depende do presidente do Senado — disse Guimarães.

Um governista minimiza a falta de calendário estabelecido para a PEC da 6×1 e diz, sob reserva, que nada impede que novos despachos entre as autoridades ocorram fora do período do esforço concentrado (datas que o Congresso definiu para realizar sessões de votação), apontando para a expectativa de votar o tema antes do primeiro turno.

O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou em reunião da bancada da sigla na Câmara que, se Alcolumbre quiser de fato se reaproximar do petista, ele deve dar andamento à PEC da 6×1 e demais temas. O próprio presidente escreveu nas redes sociais, na terça, que os “trabalhadores do nosso país não podem mais esperar” e que “chegou a hora de aprovarmos” a proposta.

Esse é o segundo encontro entre as duas autoridades após três meses de silêncio entre eles. Lula e Alcolumbre se afastaram após o Senado impor derrota histórica ao presidente com a rejeição da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Na semana passada, os dois se encontraram pela primeira vez em reunião organizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal(STF), e com a participação de Cristiano Zanin.

Acordo pacote com combustíveis, saúde, fertilizantes e minerais críticos

O ministro Guimarães e a líder Teresa também afirmaram que o governo chegou a um acordo com o Congresso para avançar com um pacote de propostas de interesse do Executivo, incluindo medidas relacionadas a combustíveis, fertilizantes, saúde, minerais críticos e à Copa do Mundo Feminina.

Parte das medidas será reunida no PLP 114, que deve ser analisado hoje, passando pela Câmara e, na sequência, pelo Senado. O acordo sobre o texto foi negociado com participação dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e comunicado ao presidente da Câmara, Hugo Motta.

— Foi feito um acordo envolvendo os Ministérios do Planejamento e Fazenda, e já comunicamos ao presidente Hugo Motta: pode tocar o texto que o Bruno Moretti negociou. Tá tudo bem negociado. Vota no início da tarde na Câmara e ainda na parte da tarde no Senado Federal — afirmou o ministro após o encontro.

A intenção é concentrar no mesmo projeto matérias que poderiam tramitar separadamente. De acordo com o ministro, a negociação busca acelerar a aprovação das prioridades do Executivo durante o período de esforço concentrado no Congresso.

— Esse PLP é um PLP muito forte, porque atende a várias propostas que iam tramitar uma por uma — disse Guimarães.

Além do projeto, o governo negocia a tramitação de seis medidas provisórias. Segundo a líder do governo no Senado as comissões responsáveis pelas MPs serão instaladas nesta quarta-feira, a partir das 14h30. Entre elas está a medida relacionada à chamada “taxa das blusinhas”, que, segundo a senadora, é a que tem prazo mais próximo para perder a validade, em 8 de setembro.


BS20260812134928.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/08/12/lula-e-alcolumbre-se-reunem-para-discutir-agenda-de-interesse-do-planalto-no-congresso.ghtml

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