Mário Frias pagou R$ 154 mil de cota parlamentar a empresa citada em investigação de contrato de wi-fi na prefeitura de SP
2 de junho, 2026
| Por: Agência O Globo
Deputado fez pagamentos mensais a companhia subcontratada por ONG de Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora de ‘Dark Horse’
O deputado federal Mário Frias, que enviou emendas e cota parlamentar para entidades ligadas à sócia da produtora de ‘Dark Horse’ – Foto: Marcello Casal Jr Agência Brasil
O gabinete do deputado federal Mário Frias (PL) pagou R$ 154 mil de cota parlamentar para uma empresa subcontratada por Karina Ferreira da Gama para prestar o serviço de instalação de wi-fi para a prefeitura de São Paulo. A fornecedora está sob investigação da Polícia Civil por suspeitas de redirecionamento de recursos para a produção do filme “Dark Horse”, que enaltece o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A informação foi divulgada pela Globonews e confirmada pelo GLOBO, a partir de dados de transparência da Câmara dos Deputados e do inquérito policial que deu origem à operação desta segunda-feira (2). A prefeitura de São Paulo nega irregularidades.
Frias já precisou dar explicações sobre emendas parlamentares, na ordem de R$ 2 milhões, a organizações ligadas a Karina, atribuídas a um projeto de artes marciais e outro de letramento digital. A verba de gabinete, de R$ 154 mil, por sua vez, foi direcionada à empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda para fins de “manutenção de escritório de apoio à atividade parlamentar”. Os pagamentos foram realizados entre setembro de 2024 e abril de 2026.
A Complexsys foi subcontratada pela ONG Instituto Conhecer Brasil dentro da licitação para fornecimento de pontos de wi-fi em comunidades da periferia da capital paulista que chega a R$ 157 milhões. Essa entidade é presidida por Karina, que também é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme de Bolsonaro mesmo sem experiência prévia em cinema, e de relação próxima com Frias.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de direcionamento de licitação, sobrepreço e desvio de verba pública. No entanto, apenas o Instituto Conhecer Brasil aparece como empresa investigada no inquérito. A Complexsys foi citada a partir de reportagens jornalísticas que mostram que ela teve notas de R$ 2 milhões canceladas administrativamente e contestadas na prestação de contas.
A Polícia aponta ainda que um total de R$ 12 milhões foram destinados às empresas Complexsys e Fast Future, que seriam pertencentes a um mesmo casal “associado à investigada Karina Ferreira da Gama”.
A prefeitura de São Paulo afirmou, em nota, que “repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”. O governo de Ricardo Nunes (MDB) alega que o programa Wi-Fi Livre “funciona normalmente na cidade”.
O GLOBO tenta contato com Frias, Karina e a Complexsys.