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Master: investigação apura empréstimo do banco, transações de fundos da Reag e rentabilidade de 10.502.205%

9 de janeiro, 2026 | Por: Agência O Globo

Autoridades estão seguindo o caminho do dinheiro em transações realizadas entre a instituição financeira de Vorcaro e a gestora de recursos que entrou na mira de uma megaoperação envolvendo o crime organizado

Fachada do Banco Master em São Paulo
Fachada do Banco Master em São Paulo — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A investigação de suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master identificou transações relâmpagos em uma rede de fundos de investimento administrados pela gestora de recursos Reag DTVM realizadas a partir de um empréstimo de R$ 459 milhões do banco de Daniel Vorcaro, liquidado no fim do ano passado. Um dos fundos analisados pelos investigadores teve rentabilidade de 10.502.205,65% em 2024. As transações, acenderam o sinal de alerta do Banco Central e estão sendo apuradas pelo Ministério Público Federal.

Um dos casos encontrados na investigação, tratado como padrão de comportamento ao longo de 2023 e 2024, ocorreu em abril de 2024, quando o Master concedeu um empréstimo no valor de R$ 459 milhões para uma consultoria imobiliária comandada por uma ex-funcionária da Reag. Dois dias depois, a empresa aplicou R$ 450 milhões em um fundo da gestora de recursos, da qual seria a única cotista. A partir daí, segundo a investigação, começou uma sequência de transações.

Menos de duas horas depois da primeira transação, o fundo repassou R$ 450 milhões para outro fundo, o D Mais, também ligado à Reag. Em seguida, num intervalo de nove minutos, foi registrada uma sequência de operações suspeitas, sendo que algumas delas foram feitas de forma fracionada, com passagens em diferentes camadas de fundos.

Um deles foi o FIDC High Tower, administrado pela Reag e que investiu R$ 850 milhões em papéis considerados sem valor do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Esse fundo, segundo a investigação, reavaliou esses ativos de baixa liquidez para R$ 10,8 bilhões, registrando uma rentabilidade de 10.502.205% em 2024. Nesse mesmo ano, para efeito de comparação, a maior criptomoeda do mundo rendeu em torno de 120% de retorno em dólar, enquanto o ouro valorizou 61,6% em reais no mesmo período.

A circulação de recursos entre fundos sob administração da mesma gestora, em intervalos de minutos, reforça a suspeita dos investigadores de que as operações indevidas de reavaliação de ativos permitiram à Reag obter rentabilidade extraordinária sem correspondência com ganhos econômicos reais.

A investigação também suspeita que, após transitarem em diferentes fundos administrados pela Reag, os recursos voltaram para o próprio Master por meio de aquisição de CDB (Certificado de Depósito Bancário), principal forma de captação do banco no mercado.

Isso ocorreu em ao menos duas operações. Uma delas ocorreu por meio do fundo Astralo 95 que, após receber uma aplicação de outro fundo no valor de R$ 250 milhões, comprou, uma hora depois, CDB emitido pelo Banco Master. A outra transação envolveu o fundo Reag Growth, que aplicou R$ 200 milhões em títulos do banco de Daniel Vorcaro, exatamente no mesmo horário da outra transação.

Procurada, a Reag, que foi vendida para a Arandu Investimentos, explicou “que os recursos mencionados decorrem de operações de crédito estruturadas cujos desembolsos estavam vinculados ao avanço de projetos específicos” e que, “por determinação contratual, a liberação das parcelas só poderia ocorrer após a confirmação de marcos de execução e aprovação técnica desses projetos”.

E nota, a Reag argumentou ainda que “enquanto tais condições não eram verificadas, os valores não podiam ser utilizados e deveriam permanecer aplicados em instrumentos financeiros vinculados ao próprio credor”. Esse modelo, diz a gestora, seria “amplamente utilizado no mercado de crédito estruturado, assegura que os recursos permaneçam alocados e preservados até que os projetos atinjam suas fases de implementação e autorização formal”. Procurado, o Master não retornou.

A Reag entrou na mira da Operação Carbono Oculto deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público no ano passado. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustível e empresas financeiras. A companhia nega qualquer irregularidade e tem enfatizado que a associação “não consta de nenhum documento oficial, de nenhuma denúncia, relatório de análise ou manifestação das autoridades competentes”.


BS20260109104623.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/01/09/master-investigacao-apura-emprestimo-do-banco-transacoes-de-fundos-da-reag-e-rentabilidade-de-10502205percent.ghtml

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