POLÍTICA

Mendonça diz ter sido alvo de ‘represálias’ e ‘tentativas de intimidação’ após levar adiante relatório da PF

17 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Declaração ocorre após novo embate com Gilmar Mendes, acusações de atuação política e cancelamento de julgamento que analisaria sua conduta no caso Master

O ministro André Mendonça, durante sessão do STF — Foto: Rosinei Coutinho/STF/03-04-2024

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira que tem sido alvo de “represálias” e “tentativas de intimidação” desde que decidiu levar adiante informações recebidas da Polícia Federal no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. Em manifestação enviada a jornalistas, Mendonça disse ainda ter sido advertido, de maneira “implícita e explícita”, de que haveria ataques contra ele e pessoas próximas.

“Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias. Fui advertido, de forma implícita e explícita, de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim”, afirma Mendonça na mensagem.

A manifestação ocorre em meio à escalada da crise interna no Supremo provocada pelos desdobramentos das investigações do Master. Mendonça passou a enfrentar questionamentos de colegas sobre a condução dos casos sob sua relatoria, enquanto decisões e procedimentos adotados por ele passaram a ser submetidos à análise do plenário da Corte.

“Conforme ensina Schopenhauer, dentre os estratagemas para se tentar vencer um debate sem ter razão estão os ataques pessoais contra quem se diverge, fazendo-o de forma injusta, ofensiva e insultante”, diz o ministro.

Na mensagem, Mendonça afirmou que não pretende alterar sua atuação em razão das pressões que diz estar sofrendo.

“No entanto, nada tenho a temer. Assim, apesar dos ataques e tentativas de intimidação, seguirei cumprindo meu dever com serenidade e responsabilidade”, conclui.

A declaração foi divulgada horas depois de Gilmar voltar a fazer críticas públicas à condução das investigações por Mendonça. O decano tem questionado a forma como o colega atuou no caso Master e nesta quinta-feira elevou o tom ao atribuir motivação política à atuação do ministro, chegando a chamá-lo de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. Mendonça rejeita as acusações de atuação política.

As críticas se somam aos questionamentos feitos nos últimos dias sobre a condução de Mendonça no caso Master. Na sessão de terça-feira, Alexandre de Moraes acusou o colega de direcionar as investigações por motivações políticas e de tentar fazer com que seu nome fosse incluído em uma eventual delação do banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça classificou a acusação como mentirosa. A Procuradoria-Geral da República também questionou a regularidade do relatório da PF que trouxe as mensagens atribuídas a Vorcaro com menções a Moraes.

Nesta quinta-feira, Fachin decidiu ainda retirar da pauta do dia 23 o julgamento que analisaria o pedido de investigação sobre a atuação de Mendonça. O presidente do STF afirmou que a discussão depende da conclusão de uma questão anterior: se os casos envolvendo Mendonça e Moraes devem ser analisados em conjunto ou separadamente. Essa controvérsia começou a ser julgada na terça-feira, mas foi interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino. Não há nova data para a análise da conduta de Mendonça.

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