
PF intima Daniel Vorcaro e pai para depor no inquérito sobre a ‘milícia privada’ que prestava serviços ao banqueiro
Esta é a última fase antes da conclusão das investigações
Declaração ocorre após novo embate com Gilmar Mendes, acusações de atuação política e cancelamento de julgamento que analisaria sua conduta no caso Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira que tem sido alvo de “represálias” e “tentativas de intimidação” desde que decidiu levar adiante informações recebidas da Polícia Federal no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. Em manifestação enviada a jornalistas, Mendonça disse ainda ter sido advertido, de maneira “implícita e explícita”, de que haveria ataques contra ele e pessoas próximas.
“Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias. Fui advertido, de forma implícita e explícita, de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim”, afirma Mendonça na mensagem.
A manifestação ocorre em meio à escalada da crise interna no Supremo provocada pelos desdobramentos das investigações do Master. Mendonça passou a enfrentar questionamentos de colegas sobre a condução dos casos sob sua relatoria, enquanto decisões e procedimentos adotados por ele passaram a ser submetidos à análise do plenário da Corte.
“Conforme ensina Schopenhauer, dentre os estratagemas para se tentar vencer um debate sem ter razão estão os ataques pessoais contra quem se diverge, fazendo-o de forma injusta, ofensiva e insultante”, diz o ministro.
Na mensagem, Mendonça afirmou que não pretende alterar sua atuação em razão das pressões que diz estar sofrendo.
“No entanto, nada tenho a temer. Assim, apesar dos ataques e tentativas de intimidação, seguirei cumprindo meu dever com serenidade e responsabilidade”, conclui.
A declaração foi divulgada horas depois de Gilmar voltar a fazer críticas públicas à condução das investigações por Mendonça. O decano tem questionado a forma como o colega atuou no caso Master e nesta quinta-feira elevou o tom ao atribuir motivação política à atuação do ministro, chegando a chamá-lo de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. Mendonça rejeita as acusações de atuação política.
As críticas se somam aos questionamentos feitos nos últimos dias sobre a condução de Mendonça no caso Master. Na sessão de terça-feira, Alexandre de Moraes acusou o colega de direcionar as investigações por motivações políticas e de tentar fazer com que seu nome fosse incluído em uma eventual delação do banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça classificou a acusação como mentirosa. A Procuradoria-Geral da República também questionou a regularidade do relatório da PF que trouxe as mensagens atribuídas a Vorcaro com menções a Moraes.
Nesta quinta-feira, Fachin decidiu ainda retirar da pauta do dia 23 o julgamento que analisaria o pedido de investigação sobre a atuação de Mendonça. O presidente do STF afirmou que a discussão depende da conclusão de uma questão anterior: se os casos envolvendo Mendonça e Moraes devem ser analisados em conjunto ou separadamente. Essa controvérsia começou a ser julgada na terça-feira, mas foi interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino. Não há nova data para a análise da conduta de Mendonça.
BS20260917175307.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/17/mendonca-diz-ter-sido-alvo-de-represalias-e-tentativas-de-intimidacao-apos-levar-adiante-relatorio-da-pf.ghtml

Esta é a última fase antes da conclusão das investigações

Estudo aponta como fatores emocionais impactam decisão de não votar

Presidente do STF afirma que plenário precisa definir antes possível reunião e redistribuição dos processos relacionados a Moraes e Mendonça; nova data ainda será marcada

Decisão ocorre dois dias após plenário marcado por bate-boca e em meio a nova troca de acusações entre Gilmar Mendes e André Mendonça