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Transferência de R$ 61 milhões do banqueiro para o longa é investigada pela Polícia Federal

O banqueiro Daniel Vorcaro tratou como prioridade os pagamentos ao filme “Dark Horse” — sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação consta em mensagens trocadas entre o dono do Banco Master e o cunhado Fabiano Zettel, em janeiro de 2025, que foram divulgadas pelo site The Intercept e confirmadas pela TV Globo nesta terça-feira.
Como revelou também revelou Intercept Brasil, Vorcaro autorizou o repasse de R$ 61 milhões ao filme após pedido do senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL). A transferência é investigada pela Polícia Federal (PF). A mesma reportagem revelou áudios em que o parlamentar cobra parcelas atrasadas do banqueiro.
Nas mensagens divulgadas nesta terça-feira, Zettel relata ao banqueiro ter 55,5 milhões em pagamentos pendentes (não deixa especificado se em reais ou em dólares). O cunhado de Vorcaro teria sido escalado pelo dono do Master para operacionalizar parte das transações
Uma outra conversa, desta vez entre o empresário Thiago Miranda e Vorcaro indica que o primeiro aporte deveria ser feito no dia 20 de janeiro daquele ano. Miranda tem sido identificado pelo The Intercept como o responsável por colocar Flávio e o banqueiro em contato.
Cara, hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme. Preciso acelerar. Estamos no laço
— disse Miranda
Em seguida, Vorcaro responde:
Vou atrás aqui
— Vorcaro
Segundo o The Intercept, Miranda diz que já havia falado com Zettel e encaminha a Vorcaro uma captura de tela de uma conversa com Flávio. A reportagem aponta que, na mensagem reproduzida (cuja data não é possível confirmar), o senador pede que Miranda pressione o jurídico do investidor para destravar a operação.
Fala Thiago, te escrevo a pedido do pessoal do nosso filme pra vc dar um gás na resposta do jurídico do investidor. Sei que vc não tem ingerência lá, mas acho que vale uma cobrada pra que tenham um prazo final pra fazer. Lembrando que estamos com o roteirista amarrado até janeiro só. Eles me perturbam e eu te pertubo aqui!! rs
— Flávio na conversa compartilhada por Miranda com Vorcaro
O banqueiro, então, demonstra interesse em acompanhar o andamento dos pagamentos.
Zettel procura Vorcaro no dia 21 de janeiro com um pedido de orientação sobre as transações:
Uma semana depois, Vorcaro questiona o cunhado sobre o andamento dos pagamentos ao longa:
Assim como Vorcaro, Zettel foi preso por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A decisão de detenção ocorreu devido a trocas de mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro.
A cobrança dos recursos feita por Flávio Bolsonaro ocorreu em 8 de setembro de 2025 no momento em que os envolvidos na produção tinham dificuldades para honrar compromissos da montagem.
Em um dos áudios divulgados pelo Intercept, o senador demonstra preocupação com atrasos em pagamentos ligados ao longa e cita a necessidade de honrar compromissos assumidos com integrantes da equipe do filme.
“Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, diz o senador, em aúdio enviado ao banqueiro.
Após a divulgação das mensagens, o senador admitiu ter buscado o banqueiro e afirmou que a relação com Vorcaro ocorreu exclusivamente no contexto da busca de patrocínio privado para o filme.
Outro contato também foi feito por Flávio dois meses depois, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero. A ação policial investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, diz Flávio.
Também foi revelado que o senador chegou a encontrar Vorcaro pessoalmente no fim do ano passado. A visita ocorreu na casa do executivo, em São Paulo, quando ele estava cumpria medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, após ser detido pela primeira vez.
O filho de Jair Bolsonaro sustenta que só foi ao encontro do dono do Master, um dia antes da prisão da prisão do banqueiro, para colocar um “ponto final” em questões relacionadas ao patrocínio da cinebiografia do pai.
— Fui, sim, até o encontro dele (Vorcaro). Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele — disse Flávio, na semana passada, minutos depois de o encontro ser revelado pelo portal Metrópoles. — Eu fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco.
BS20260602233515.1 – https://extra.globo.com/politica/noticia/2026/06/mensagens-indicam-que-vorcaro-priorizou-pagamentos-ao-filme-dark-horse-apos-pedido-de-flavio-bolsonaro.ghtml

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