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Sobretaxa foi aplicada sob a alegação de que o Brasil e mais 59 países falham em barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou que cerca de dois mil produtos que o Brasil exporta para os Estados Unidos não estarão sujeitos a nenhuma das duas tarifas fixadas pelos americanos: a de 25%, anunciada na semana passada, e a de 12,5% publicada nesta quinta-feira.
– Mas nós temos, lamentavelmente, muitos setores que estarão sujeitos à dupla tributação, dupla taxação de 37,5%, como é o caso, por exemplo, de calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções, químicos, desde que não seja farmacêuticos. Para esses, infelizmente, a tarifa passa a ser de 37,5% – afirmou.
Ele citou alguns exemplos, como carnes, café, suco de laranja e frutas que não sujeitos à cumulatividade por fazerem parte da lista de exceções. Destacou outros como celulose, por exemplo, que não estava sujeito à alíquota de 25% e que agora terá de submeter à taxa de 12,5%.
A tarifa adicional de 12,5% atinge 42% das exportações enviadas ao território americano, considerando os números de 2025, conforme os cálculos do economista João Carmo, da 4 Intelligence. Considerando o volume exportado em 2024, o percentual afetado é de 43%.
A sobretaxa foi aplicada sob a alegação de que o Brasil e mais 59 países falham em barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado – 54 foram tarifados em 12,5% e outros seis com 10%. A decisão atinge 99,4% das importações americanas.
No caso brasileiro, a taxa de 12,5% deve se somar à tarifa de 25%, anunciada na semana passada sob o argumento de que o Brasil tem “práticas desleais” que prejudicam o comércio americano. Assim, parte dos produtores locais estarão sujeitos a uma sobretaxa de 37,5%.
– O Brasil tem compromissos históricos com combate ao trabalho forçado à prevenção, ao controle à fiscalização, ao acolhimento das vítimas do Brasil é subscritor de todos os instrumentos da Organização Internacional do Trabalho – disse Elias Rosa.
Ao ser indagado sobre o fato de o Brasil insistir na Lei da Reciprocidade, respondeu que o governo brasileiro não pode abrir mão do mecanismo.
– O governo brasileiro não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade porque seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira e os interesses do Brasil – destacou o ministro, acrescentando:
– O momento e a forma de fazê-lo, o tempo vai determinar. É óbvio que o interesse primário é negociar. É óbvio que o objetivo é evitar essa e afastar essas tarifações, porque elas são extremamente injustas e muito danosas.
Elias mencionou ainda que o governo brasileiro só deve fazer contato com as autoridades americanas em agosto. Primeiro, será preciso aguardar os dias 28 de julho e 29 de julho quando entram em vigor as tarifas sobre produtos em trânsito, com destino aos Estados Unidos.
— Antes desses marcos legais, acho que não haverá nenhum contato entre ambas as partes. Nós faremos esse contato no mês que vem após concluirmos todos esses levantamentos –afirmou.
BS20260723233215.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/23/mesmo-com-nova-taxa-2-mil-produtos-brasileiros-vendidos-aos-eua-seguem-isentos-diz-ministro.ghtml

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