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Valor do aparelho caiu em relação ao ano passado, mostra levantamento. Estoques ainda estejam cheios, mas expectativa é que preço suba com El Niño

As temperaturas mais altas chegaram mais cedo neste ano, como consequência do fenômeno climático El Niño. A estimativa é que o veranico em agosto fique até dia 7, ou seja, sexta-feira. Ainda assim, como estamos em tese no inverno, os preços de aparelhos de ar-condicionado estão em baixa, abrindo uma oportunidade para quem quer se preparar para o calorão que especialistas estão prevendo para esta segunda metade do ano.
De acordo com o monitoramento de preços da Confi Neotrust, que rastreia os valores apresentados por lojas na internet, os aparelhos de refrigeração de ar registram queda de 14% a 17% nos preços na comparação com o registrado em 2025.
Os aparelhos de 12 mil BTUs, mais populares e que representam quase a metade da fatia das vendas de ar-condicionado na internet, registram redução de 14,9% no preço médio.
Com as altas temperaturas que podem afetar o centro-sul do país antes do previsto por conta do El Niño, a demanda pelos aparelhos pode aumentar, fazendo os preços dispararem. A indústria pode ter dificuldade de acompanhar o crescimento dos pedidos com tanta rapidez, dizem representantes do setor:
— O setor depende muito da intensidade e da persistência do calor nos principais mercados consumidores. Quando o clima é menos favorável para a compra, parte do consumidor adia a decisão — avalia Jorge Nascimento, presidente da Eletros, que representa as principais marcas de eletroeletrônicos do Brasil.
Os preços em baixa também são reflexo de estoques ainda cheios, diz Toríbio Rolon, diretor de Economia da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).
Ainda que a demanda possa aumentar num futuro próximo, o custo financeiro do produto no estoque cria um gargalo para o revendedor. Ele afirma que a taxa de juro no atual patamar — hoje a Selic está em 14% — ainda restringe o distribuidor a aumentar as compras para revenda:
— Se reduz a demanda, os principais clientes compradores dizem “tenho estoque, prefiro aguardar”. Quando o empresário compra hoje, mesmo que ele seja faturado em 150 dias, estamos falando de um estoque que custa quase 2% ao mês — diz ele sobre a conta que o distribuidor também tem feito.
Também um efeito do El Niño, a seca no Norte do país também pode contribuir para a pressão nos preços dos aparelhos quando a temperatura subir. Como quase a totalidade dos aparelhos de refrigeração de ar brasileiros são produzidos na Zona Franca de Manaus, o escoamento dos produtos pelos Rios Negro e Amazonas pode ficar difícil, prejudicando os dois sentidos: a entrada de insumos para a produção dos aparelhos e o envio deles já prontos para outras regiões.
— Uma seca severa pode restringir a navegação, elevar fretes, aumentar o tempo de transporte e exigir operações logísticas adicionais — diz Nascimento, da Eletros, ponderando que a indústria instalada é capaz de atender a uma “demanda surpresa”, ainda que haja restrição na chegada de matéria-prima. — É claro que uma estiagem mais intensa amplia custo e complexidade para toda a cadeia.
O conflito entre EUA e Irã, avalia Nascimento, pode contribuir para salgar o preço do ar-condicionado. Isso porque o aumento dos custos derivados da alta do petróleo tende a encarecer a matéria-prima da produção dos aparelhos para combater o calorão:
— A alta do petróleo afeta diretamente fretes marítimos e rodoviários e também insumos importantes, como resinas plásticas, espumas, embalagens e derivados utilizados na produção de eletroeletrônicos — disse o presidente da Eletros.
Além do custo do aparelho, a instalação também é um serviço necessário e que pode apresentar vantagem neste momento. Com a baixa demanda durante o inverno, é possível negociar descontos:
— É algo que precisa também ser levado em conta. No verão, há corrida e o preço sobe — diz Santos, da Abrava.
BS20260806030015.1 – https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/08/06/el-nino-preco-de-ar-condicionado-cai-ate-17percent-mesmo-com-previsao-de-calor-antecipado.ghtml

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