ECONOMIA

Ministro da Fazenda culpa juros por alta da dívida: ‘Resultado do governo não é responsável pelo aumento’

6 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Um dia depois de o Banco Central (BC) reduzir a Taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o resultado das contas do governo, desde 2024, não é responsável pela alta da dívida pública, mas juros da economia. — Desde 2024, o resultado do governo não é responsável pelo […]

Ministro da Fazenda Dario Durigan – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Um dia depois de o Banco Central (BC) reduzir a Taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o resultado das contas do governo, desde 2024, não é responsável pela alta da dívida pública, mas juros da economia.

— Desde 2024, o resultado do governo não é responsável pelo aumento do endividamento público, e sim a taxa de juros — disse Durigan, em entrevista à GloboNews, citando como exemplo a melhora da nota soberana do país nas agências de classificação de risco.

Dados divulgados pelo Banco Central na semana passada mostram que a dívida bruta do setor público brasileiro atingiu 81,9% do PIB em junho, alcançando R$ 10,8 trilhões. Foi um aumento de 0,9 ponto percentual em relação a maio. Esse é o maior nível desde abril de 2021, em meio à pandemia da Covid-19, mês em que o endividamento do setor público totalizou 82,6% do PIB.

Este é um dos principais indicadores econômicos observados pelos investidores na avaliação da saúde das contas. Especialistas têm falado da necessidade de segurar a trajetória da dívida para melhorar o ambiente econômico do país.

O endividamento do país ocorre por conta do déficit público e do pagamento de juros para cobrir este rombo.

A dívida pública subiu 10,2 pontos percentuais neste terceiro mandato do governo Lula, que iniciou com um passivo que somava 71,7% do PIB ao final de 2022. Com essa alta nos últimos anos, o endividamento público retorna aos patamares que atingiu durante a pandemia, quando chegou ao seu recorde histórico, de 87,7% do PIB, em dezembro de 2020.

Ao se considerar o critério nominal, que soma o resultado primário com pagamento de juros da dívida pública, há um déficit acumulado em doze meses de R$ 1,317 trilhão (9,99% do PIB), com um aumento de 0,38 ponto percentual do PIB em relação ao mês anterior.​

Para o ministro, o desafio está na gestão da dívida, devido aos juros para remunerar os investiodores, uma vez que o Orçamento está contido, inclusive com um bloqueio de despesas de cerca de R$ 17 bilhões em ano eleitoral.

Segundo Durigan, a desafio não é só do governo, como das famílias e empresas, que estão sufocadas com os juros elevados.

– Para o futuro, tem uma discussão sobre a rolagem da dívida. O governo não gasta mais, não há descontrole fiscal, não há crise fiscal. Há sim um desafio para a gente endereçar a questão dos juros para diminuir o endividamento. – disse o ministro. – Do ponto de vista do governo, a variável que está no nosso controle é em grande medida a política fiscal, por isso que é importante melhorar a política fiscal, e esse é o meu compromisso aqui.

O ministro reconheceu preocupação com a trajetória da dívida e afirmou ser um desafio endereçar a questão dos juros. Mas garantiu que não há nenhum risco de o Tesouro não pagar sua dívida hoje. Questionado sobre como o comportamento das contas públicas impactam os juros, Durigan disse que esse não é o único aspecto e que a elevação recente da Selic “não esteve necessariamente vinculada ao fiscal”.

– Há sim preocupação com tamanho da dívida, precisamos trabalhar para diminuir juros, com esforço fiscal. – disse. – O mundo inteiro está pressionado com inflação e com política monetária agressiva – lembrou.

Em relação a medidas concretas que podem ser adotadas para conter as despesas públicas, os juros e o endividamento, Durigan não deu detalhes. Ele disse que não está em discussão o aumento real do salário mínimo e que não debate no momento sobre a desvinculação do mínimo no pagamento de benefícios previdenciários.

– Há uma série de cenários que devem ser discutidos com o presidente assim que a gente passar o período eleitoral, porque os desafios seguem existindo mesmo agora, seja na relação internacional, seja nas medidas concretas que têm que ser endereçadas para frente – disse, negando veementemente uma intenção do governo de controlar capitais.

Durigan afirmou que o governo vai deixar um Orçamento para 2027 “estruturalmente melhor”, em uma crítica à gestão Jair Bolsonaro, que, segundo ele, em 2022, deixou uma peça orçamentária com pendências, sem o pagamento de precatórios e sem prever de forma correta o valor do benefício do Bolsa Família à época.

– Este ano de 2026 é ano de eleição, como foi em 2022. Naquele ano, também teve guerra que afetou os preços de petróleo. A inflação em 2022 chegou a dois dígitos. Agora, nós estamos com a inflação abaixo de 5%, 4,60%, muito próximo do teto da meta – disse.



BS20260806133500.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/06/entrevista-durigan-fiscal-divida.ghtml

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