ECONOMIA

Ministro da Fazenda diz que alegação de ‘inércia’ em empréstimo para BRB é ‘descabida’ e que acordo atual é ‘único possível’

7 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Governo do Distrito Federal tenta obter R$ 6,6 bilhões para capitalizar banco estatal

Ministério da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira que “gerou profunda insatisfação” a alegação do governo do Distrito Federal de haver “inércia” da União e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no cumprimento do acordo para capitalizar o BRB.

Nesta quarta-feira, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu pedido do governo de Brasilia e marcou uma nova audiência de conciliação, no dia 13 de agosto para tentar destravar o empréstimo bancário de R$ 6,6 bilhões para o Banco de Brasília.

– Essa informação do governo do Distrito Federal de que há uma inércia gerou profunda insatisfação nas equipes do governo federal que trabalham para chegar a um acordo, especialmente quando lembramos que o problema tem origem criminosa no governo do DF e no BRB – afirmou Durigan.

O titular da equipe econômica afirmou que estará presente na audiência e que o acordo firmado no STF é o único possível.

– Lembrando que o que está pendente é o plano de negócios do BRB, que os bancos têm que avaliar – disse.

O que diz o acordo

A primeira audiência convocada por Fux para resolver o problema patrimonial do banco, afetado pelas operações com o Master, foi realizada no final de maio.

Na ocasião, foi firmado um acordo entre as partes, mas os principais bancos privados apresentaram resistências a participar do consórcio que daria garantia à operação com o governo do DF, controlador do BRB, junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Estarão presentes na nova audiência a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, o presidente do BRB, Nelson de Souza, além de representantes da Advocacia-Geral da União (AGU), do Ministério da Fazenda, Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Banco do Brasil e do Ministério Público Federal.

Pelos termos do acordo firmado em maio, o empréstimo ao BRB seria garantido por um sindicato de bancos públicos e privados e teria como contragarantia a parcela do DF do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que somam aproximadamente R$ 1,6 bilhão.

A expectativa da direção do BRB era assinar o contrato até 20 de junho. O banco está sendo multado diariamente pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pelo atraso na publicação do balanço de 2025, previsto para 31 de março.

No entanto, interlocutores afirmam que os bancos privados passaram a exigir que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal apresentem as próprias garantias, o que é considerado inviável pelo governo federal, diante do impacto no balanço dos dois bancos públicos.

Os bancos também avaliam que o plano de negócios apresentado pelo BRB e pelo controlador, o governo do Distrito Federal, é insuficiente para convencê-los a dar as garantias necessárias para que a contratação do empréstimo pelo FGC.

O governo do DF vem sendo cobrado pelo Banco Central para capitalizar o banco e fechar o rombo aberto pelas operações com o Banco Master. Ainda não é público qual é o tamanho do prejuízo. Segundo estimativas divulgadas pelo presidente do banco, Nelson de Souza, chega a R$ 8,8 bilhões.


BS20260806213226.1 – https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/08/06/ministro-da-fazenda-brb.ghtml

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