ECONOMIA

Ministro da Fazenda diz que BC não deveria atuar sobre ‘soluços’ e vê espaço para novos cortes da Selic

18 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Copom reduziu taxa para 14,25% nesta quarta-feira, mas deixou próximos passos em aberto

Secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, em entrevista ao Metrópoles, que o Banco Central não deveria atuar sobre “soluços” como a guerra do Oriente Médio e que vê espaço para novos cortes da taxa Selic. Nesta quarta-feira, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25%, mas deixou em aberto os próximos passos em meio ao aumento dos riscos para a inflação.

Para parte do mercado financeiro, o BC sinaliza que o ciclo de queda está se aproximando do fim, o que pode acontecer, inclusive, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontecerá em agosto.

— A política monetária não deveria atuar sobre esse tipo de soluço ou intercorrência de curto prazo, como foi o caso da guerra, porque agora já estamos vendo um arrefecimento, já estamos com o preço do petróleo em um patamar mais baixo. Então o BC, cumprindo com o horizonte que eles estão vendo, eu sigo achando que há espaço para novos cortes.

Durigan ponderou que a Selic é uma competência do BC. Segundo o ministro, no que for possível, o governo vai ajudar a política monetária. Ele citou o exemplo recente de bloqueio de R$ 23 bilhões no orçamento deste ano.

— Isso sem dúvida nenhuma é uma competência do BC, eu estou aqui simplesmente expondo a posição que eu penso, entendendo que, no curto prazo, no que for possível o governo ajudar, o governo fará, com responsabilidade fiscal, sem alterar as metas, inclusive bloqueando R$ 23 bilhões no orçamento, cortando na própria carne. E o BC fazendo o papel de olhar para o horizonte relevante e ir ajustando a política monetária a médio e longo prazo.

O ministro reconheceu que a inflação preocupa, embora o nível esteja controlado, e que não menospreza o sentimento das pessoas de que a comida está cara. Ele disse que o governo faz o seu papel, com medidas pontuais, como a dos combustíveis, mas sem controle de preços. O principal cuidado do governo é com o fiscal, para que sinalize que tem uma trajetória contratada que cumpra o papel de reduzir a inflação.


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