ECONOMIA

Ministro da Fazenda diz que EUA têm interesse político de ajudar família Bolsonaro, mas que pode debater com Trump etanol e big techs

18 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Presidente americano disse que Brasil “tem sido um pouco perigoso politicamente”

Ministro da Fazenda Dario Durigan – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem interesse político em ajudar a família Bolsonaro, mas que o Brasil pode discutir com a Casa Branca temas específicos apontados como motivo para a imposição de um novo tarifaço contra o país, como o etanol e a regulação de big techs.

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) recomendou a adoção de tarifas devido a suspeitas de práticas desleais e de falhas em barrar a importação de produtos fabricados com trabalho forçado, que, juntas, podem onerar em 37,5% as exportações brasileiras frente ao mercado americano. Além disso, nesta quarta-feira, Trump disse que o Brasil “tem sido um pouco perigoso politicamente”.

— Eu acho que existe um interesse econômico, além do interesse político de ajudar a família Bolsonaro, existem sim preocupações econômicas que me chegam seja de empresas, setores, câmaras de comércio. Existe uma preocupação das empresas de tecnologia da regulação que vai se dar no Brasil, com a tributação que se vai instituir no Brasil. Isso é natural — disse Durigan em entrevista ao Metrópoles.

— O etanol é uma questão específica, a regulação de big techs. A gente poderia discutir essas coisas setoriais. O que não cabe é dizer é que o país todo tem o problema, como antes foi alegado de caça às bruxas, o Judiciário está perseguindo um determinado cidadão. Isso não faz sentido — completou.

Segundo o ministro, o Brasil seguirá negociando com os Estados Unidos por meio da diplomacia e dos argumentos técnicos, mas que há limites, como o Pix, que está fora da mesa de negociação ou a soberania nacional no combate ao crime organizado, que têm que ser combatido pelos “policiais brasileiros, e no processo eleitoral.

Para Durigan, a declaração de Trump não cabe, porque a preocupação do Brasil hoje é manter a estabilidade institucional e de ter eleições livres, ao contrário do que aconteceu em 2022, no governo de Jair Bolsonaro, segundo ele.

— O que vamos ter esse ano no país? Vamos ter eleições livres, as pessoas vão poder votar, não vai ter a Polícia Rodoviária Federal bloqueando ônibus de pessoas se deslocando para votar, não vai ter questionamento das eleições. Vamos seguir com estabilidade. Isso é bom para a economia — afirmou. — Eu não vejo nenhuma razão para declaração desse tipo (de Trump), a não ser criar instabilidade, querer atuar em favor da oposição.


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