ECONOMIA

Ministro da Fazenda diz que governo vai ‘estender a mão’ a produtores rurais endividados, ‘mas não pode errar a dose’

17 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Governo se posicionou contrário a pauta-bomba aprovada no Senado na semana passada, com impacto previsto de R$ 140 bilhões em dez anos

Ministro da Fazenda,Dario Durigan — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Cobrado por parlamentares sobre a proposta que permite a negociação de dívidas de produtores rurais, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo vai ajudar a resolver o problema do endividamento, mas defendeu prudência para “não errar a dose”. Sem dar detalhes, ele disse que a solução precisa ser construída com o Congresso e não beneficiar quem não precisa.

— O governo vai achar uma solução junto com o Congresso para estender a mão e ajudar o agronegócio brasileiro — disse o ministro, acrescentando que a preocupação é ” errar na dose da ajuda”: — Estender a mão para quem não precisa. Estou aberto a fechar, seja um texto novo, seja um acordo.

Ele foi questionado sobre o tema após o Senado aprovar na semana passada um projeto que prevê a renegociação. O governo é contra a iniciativa por causa do impacto nas contas públicas, que o Ministério da Fazenda calcula em R$ 140 bilhões em dez anos. Isso porque o governo precisa equalizar taxa de juros para permitir condições mais acessíveis de refinanciamento.

Em audiência na Câmara, Durigan observou que a inadimplência do agronegócio, que estava entre 1% e 2% no Banco do Brasil, um dos principais agentes financeiros do setor, subiu para 5% e 6%. Contudo, 95% do setor está adimplente, disse o ministro.

— Aumentou a inadimplência, portanto nós precisamos olhar para renegociar a dívida, estender a mão para quem está inadimplente. Mas 95% do agronegócio brasileiro está bem.

O ministro também confirmou que o governo vai ampliar o limite de faturameno do microempreendedor individual (MEI), hoje em R$ 81mil:

—Vamos aumentar o limite do MEI junto ao Congresso, podendo contratar mais um funcionário — disse o ministro.

Hoje, o MEI pode contratar um funcionário apenas. Técnicos da Fazenda defendem elevar o teto para R$ 100 mil em 2026 e R$ 120 mil, em 2028.


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