Ministro do STJ nega pedido de liberdade de Milton Leite
24 de setembro, 2026
| Por: Agência O Globo
Rogério Chietti destacou que a prisão foi “imposta a partir de elementos concretos”, por ser necessária para o “prosseguimento de investigação complexa sobre o gravíssimo fato da infiltração de facção criminosa no transporte público”
Milton Leite (União Brasil) na tribuna da Câmara em sua última sessão como vereador em São Paulo — Foto: Richard Lourenço/Rede Câmara
O ministro Rogério Shietti, do Superior Tribunal de Justiça, negou o pedido de liberdade feito pelo ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), preso em operação que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de ônibus da capital.
O ministro não viu “flagrante ilegalidade” na decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou a prisão de Leite. Schietti avaliou que a motivação para a medida – considerada “imprescindível” para colheita de provas e decretada em razão da gravidade das condutas sob suspeita – segue a jurisprudência do STJ.
Segundo o ministro, a prisão de Milton Leite foi “imposta a partir de elementos concretos”, por ser necessária para o “prosseguimento de investigação complexa sobre o gravíssimo fato da infiltração de facção criminosa no transporte público”. O ministro citou a existência de indícios concretos de autoria e participação de Milton Leite, apontado como “gestor direto de empresas controladas pelo PCC”.
“Não identifico, portanto, manifesta ilegalidade que permita inaugurar a competência constitucional deste Tribunal Superior”, apontou o ministro ao negar o habeas corpus pedido pela defesa do ex-vereador.
Leite se entregou à polícia na tarde de sexta-feira em delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele foi alvo de um mandado de prisão temporária ocorreu na Operação Vectura Corrupta. No sábado, audiência de custódia confirmou a manutenção da prisão do ex-vereador.
Leite é citado como responsável direto pela operação de algumas das empresas de ônibus investigadas na operação. Ainda segundo a apuração, ele seria o dono de fato da Transwolff, empresa de ônibus de São Paulo.
As informações constam de decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que determinou a prisão temporária de 13 investigados. Segundo a decisão, os investigadores analisaram mensagens extraídas de celulares, documentos e informações financeiras e encontraram indícios de vínculos entre os investigados e integrantes ou colaboradores do PCC. O tribunal autorizou prisões, buscas e apreensões e acesso aos dados dos equipamentos apreendidos.